No Caso Epstein, vítimas dizem que arquivos expõem nomes e provas, mas acusam que autores dos abusos permanecem protegidos, e pedem depoimento de Pam Bondi ao Congresso
Vítimas de abusos vinculados a Jeffrey Epstein protestaram após a liberação de uma grande quantidade de documentos, afirmando que, mesmo com os arquivos disponíveis, os supostos agressores “continuam ocultos e protegidos”.
O Departamento de Justiça divulgou na sexta-feira mais de três milhões de páginas relacionadas ao caso, incluindo fotos e vídeos, mas as denunciantes relatam que as informações publicadas ainda permitem sua identificação, enquanto nomes de homens que as teriam agredido ficam protegidos.
As críticas e pedidos de esclarecimento, inclusive para que a procuradora-geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso, foram relatados à imprensa, conforme informação divulgada pelo g1
O que foi divulgado e o que contém
Segundo o Departamento de Justiça, foram liberados mais de três milhões de documentos sobre o Caso Epstein, entre eles rascunhos de e-mails, trocas de mensagens, e um volume significativo de arquivos multimídia.
Os arquivos incluídos na divulgação, conforme o órgão, abarcam, pelo menos, 180 mil imagens e 2 mil vídeos. O Departamento alertou ainda que parte do material contém “alegações falsas e sensacionalistas” direcionadas a figuras públicas antes das eleições de 2020.
Posição do Departamento de Justiça e citações oficiais
O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou em coletiva que a Casa Branca não interferiu no processo de revisão dos documentos, e que o departamento não recebeu orientações sobre o que censurar, ou não censurar.
Blanche declarou, em texto reproduzido pela imprensa, que “Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”. Ele também disse que “Não protegemos o presidente Trump”, e que “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”.
O vice-procurador-geral afirmou que a divulgação “marca o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos”, e reconheceu que a liberação ocorreu com atraso em relação ao prazo legal.
Reações das vítimas e exigências
Um grupo de vítimas enviou uma carta assinada por 19 pessoas, algumas identificadas por pseudônimos, afirmando que os arquivos permitem a identificação de mulheres e meninas, enquanto os homens que as teriam agredido permanecem protegidos e ocultos.
Na carta, as signatárias exigem a “publicação completa dos arquivos Epstein” e pedem que Pam Bondi preste depoimento ao Congresso no próximo mês, para explicar a revisão e os critérios usados na divulgação.
Figuras citadas e controvérsias
Os documentos citam diversas figuras públicas, entre elas o presidente Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe britânico Andrew. A peça de divulgação inclui um rascunho em que Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais, informação que a Fundação Gates negou ao New York Times.
Também aparecem trocas de mensagens envolvendo Elon Musk, em que o texto registra a pergunta traduzida como “Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?”, e outras referências que geraram pedidos públicos de esclarecimento por parte das pessoas citadas.
Responsáveis processuais e possíveis desdobramentos
Jeffrey Epstein morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores, com a morte declarada como suicídio. Ghislaine Maxwell, ex-companheira e acusada por crimes relacionados, cumpre pena de 20 anos de prisão.
O procurador-geral adjunto minimizou expectativas de que a nova divulgação leve a acusações adicionais imediatas, enquanto vítimas e defensores seguem pressionando por investigações mais profundas e pela divulgação integral dos arquivos.
Contexto político e lei que exigiu a divulgação
O presidente Donald Trump, que manteve relações sociais com Epstein em certos círculos, resistiu à publicação dos documentos por meses, mas sancionou uma lei que exige a divulgação completa do material. A Epstein Files Transparency Act determinava a publicação até 19 de dezembro, prazo que não foi cumprido.
A divulgação traz à tona tensões entre transparência, proteção de vítimas e o risco de exposição de nomes sem investigação completa, e deve manter o Caso Epstein no centro de debates públicos e legais nas próximas semanas.