Divulgação do Departamento de Justiça traz pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos, as vítimas exigem publicação completa dos arquivos e depoimento de Pam Bondi
Vítimas de Jeffrey Epstein afirmam que os homens que as agrediram “continuam ocultos e protegidos”, mesmo após a liberação de milhões de páginas do processo pelo governo americano.
Os arquivos divulgados na sexta-feira incluem fotos e vídeos e citam figuras públicas, gerando reação intensa de sobreviventes e debates sobre revisão e censura dos documentos.
As demandas incluem a publicação integral dos arquivos e a convocação de autoridades para explicar o processo de revisão e eventual omissão de nomes, segundo carta assinada por 19 pessoas.
conforme informação divulgada pelo g1
Reivindicação das vítimas e pedido de transparência
Em carta assinada por 19 pessoas, algumas identificadas por pseudônimos ou iniciais, as vítimas dizem que os arquivos permitem identificá‑las, enquanto “os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”.
Elas exigem “a publicação completa dos arquivos Epstein” e pedem que a procuradora‑geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso no mês seguinte, cobrando responsabilização e acesso total às provas.
Resposta do Departamento de Justiça e declarações oficiais
O procurador‑geral adjunto Todd Blanche afirmou que a Casa Branca não participou do processo de revisão dos documentos, e disse, em coletiva, que “não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”.
Blanche, que já foi advogado de Donald Trump, negou que material comprometedor sobre o presidente tenha sido excluído e declarou “Não protegemos o presidente Trump”, e também, “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”.
O que os documentos mostram e nomes citados
O Departamento de Justiça divulgou mais de três milhões de documentos, que incluem pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos, segundo as informações tornadas públicas.
Entre as menções estão Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex‑príncipe Andrew, além de trocas de mensagens que geraram respostas públicas, como a de Musk afirmando que algumas mensagens podem ser “mal interpretadas” e pedindo investigação contra quem cometeu crimes ao lado de Epstein.
Também há rascunhos e alegações, como uma mensagem em que Epstein associa Bill Gates a relações extraconjugais, informação negada pela Fundação Gates, e uma troca de 2012 entre Epstein e Musk sobre festas na ilha de Epstein.
Contexto, impacto e próximos passos
Jeffrey Epstein morreu em 2019 na prisão, em circunstâncias declaradas suicídio, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, e Ghislaine Maxwell, ex‑parceira, cumpre pena de 20 anos por tráfico de menores.
A divulgação, exigida pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein que determinava publicação até 19 de dezembro, ocorreu com atraso e motivou debates sobre revisão, censura e possíveis omissões, enquanto o Departamento de Justiça alerta para “alegações falsas e sensacionalistas” em parte dos documentos.
Advogados, vítimas e parlamentares devem acompanhar os desdobramentos, e as demandas por investigação e depoimentos indicam que o Caso Epstein seguirá no centro de disputas políticas e judiciais nos próximos meses.