Caso Epstein: vítimas afirmam que agressores seguem ocultos e protegidos, após divulgação de mais de 3 milhões de páginas que citam Trump, Musk e Gates

Divulgação pelo Departamento de Justiça de mais de três milhões de documentos, com pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos, provoca protestos de vítimas e críticas ao processo de revisão

Vítimas do Caso Epstein dizem que os homens que as agrediram “continuam ocultos e protegidos”, mesmo após a liberação de milhões de páginas do processo, e exigem a publicação completa dos arquivos.

O Departamento de Justiça divulgou os documentos na sexta-feira, em uma liberação que inclui fotos e vídeos, mas que também foi criticada por demora e por cortes na revisão, segundo sobreviventes.

As informações sobre a liberação e as reações às novas páginas foram relatadas pelo g1, e provocaram pedidos de depoimento ao Congresso sobre o que foi, ou não, preservado nos arquivos, conforme informação divulgada pelo g1

O que foi tornado público

Segundo o Departamento de Justiça, foram liberados mais de três milhões de documentos relacionados ao processo contra Jeffrey Epstein, entre eles pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos. O material cita figuras públicas como Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe Andrew.

O próprio Departamento alertou que parte dos documentos contém “alegações falsas e sensacionalistas” apresentadas ao FBI antes das eleições de 2020, e afirmou ter realizado uma revisão técnica antes da publicação.

Reação das vítimas e exigências

Em carta assinada por 19 pessoas, algumas identificadas por pseudônimos, vítimas afirmam que os arquivos permitem sua identificação, enquanto “os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”. Elas pedem a publicação completa dos arquivos Epstein e que a procuradora-geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso.

As sobreviventes dizem que a divulgação parcial, com censura de imagens de mulheres e meninas exceto em alguns casos, impede a responsabilização plena dos supostos facilitadores dos crimes, e alimenta a percepção de impunidade.

Posicionamento do Departamento de Justiça e do governo

O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou, em coletiva, que a Casa Branca não participou do processo de revisão, e que ninguém “disse a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”.

Blanche, que já atuou como advogado de Trump, também negou que material comprometedor sobre o presidente tenha sido excluído, dizendo, nas palavras dele, “Não protegemos o presidente Trump“, e “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém“.

Personagens citados e desdobramentos possíveis

Entre os registros divulgados há um rascunho de e-mail em que Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais, informação negada pela Fundação Gates ao New York Times. Também há mensagens entre Elon Musk e Epstein, de 2012, em que Musk pergunta sobre festas na ilha do financista.

Musk publicou em sua rede social X que está ciente de que as mensagens podem ser mal interpretadas e usadas para manchar seu nome, e pediu que a Justiça processe “aqueles que, ao lado de Epstein, cometeram crimes graves”. O ex-príncipe Andrew, que perdeu títulos reais por causa dos vínculos com Epstein, também aparece nas páginas divulgadas.

Maxwell, ex-companheira de Epstein, é a única outra pessoa acusada pelos crimes do financista, e cumpre pena de 20 anos. Autoridades do Departamento de Justiça indicaram que não esperam, necessariamente, novas acusações imediatas com base na liberação, e que o processo de revisão foi extenso, embora tenha ocorrido com atraso em relação ao que determinava a lei.

A lei conhecida como Epstein Files Transparency Act havia determinado a publicação dos documentos até 19 de dezembro, prazo que não foi cumprido, e a liberação parcial gerou questionamentos sobre o critério adotado na censura de material sensível.

O caso continua a dividir opiniões, e a reação das vítimas, citando que os agressores permanecem protegidos, deve manter pressão sobre autoridades para esclarecimentos e novas investigações.