Caso Epstein: vítimas afirmam que agressores seguem ocultos e protegidos após liberação de mais de 3 milhões de páginas, Trump, Musk e Gates citados

Caso Epstein expõe milhões de documentos e arquivos multimídia, vítimas exigem publicação completa e denunciam que responsáveis continuam protegidos, incluindo nomes de figuras públicas

As vítimas do Caso Epstein reagiram com protestos e uma carta pública após a divulgação, na sexta-feira, de milhões de páginas de arquivos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Elas afirmam que, mesmo com os arquivos disponíveis, os homens que as abusaram "continuam ocultos e protegidos", e pedem a publicação integral dos documentos e depoimento da procuradora-geral local, afirmou a carta assinada por 19 pessoas.

As informações e citações deste texto são, conforme informação divulgada pelo g1.

O que foi divulgado

O Departamento de Justiça liberou mais de três milhões de documentos relacionados ao Caso Epstein, incluindo pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos, segundo autoridades.

Entre os arquivos há menções a diversas figuras públicas, como Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates, e o ex-príncipe britânico Andrew, além de rascunhos de e-mails e trocas de mensagens que geraram repercussão.

O governo também informou que parte dos documentos contém "alegações falsas e sensacionalistas" sobre Trump, e que o material foi revisado antes da publicação, o que atrasou a liberação, segundo autoridades.

Reação das vítimas e exigências

Em carta, vítimas disseram que os arquivos permitem a identificação delas, enquanto "os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos", frase citada na carta enviada por 19 signatários, alguns identificados por pseudônimos ou iniciais.

O grupo exige "a publicação completa dos arquivos Epstein" e solicita que a ex-procuradora-geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso no próximo mês, como forma de responsabilizar quem participou das revisões e decisões sobre a divulgação.

Vítimas e ativistas afirmam que a divulgação parcial pode expor sobreviventes sem, ao mesmo tempo, responsabilizar supostos facilitadores e cúmplices que, na ótica delas, seguem protegidos.

Resposta das autoridades e próximos passos

O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que a Casa Branca não participou do processo de revisão dos arquivos e declarou que "Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar".

Blanche, que já foi advogado de Trump, negou que material comprometedora sobre o presidente tenha sido excluído e disse, textualmente, "Não protegemos o presidente Trump" e "Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém".

O Departamento de Justiça explicou que imagens de meninas e mulheres foram censuradas, exceto algumas envolvendo Ghislaine Maxwell, parceira de Epstein, que cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de menores.

O vice-procurador-geral afirmou que a divulgação "marca o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos", porém autoridades também minimizam expectativas de que a nova leva de arquivos resulte em novas acusações, segundo as comunicações oficiais.

A liberação tardia ocorreu apesar da Epstein Files Transparency Act, Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, que determinava a publicação dos documentos até 19 de dezembro, prazo que não foi cumprido.

O Caso Epstein segue gerando debate sobre proteção de vítimas, responsabilidade de figuras públicas citadas nos arquivos e limites da revisão governamental, enquanto sobreviventes pedem transparência total e responsabilização completa.