Caso Epstein: vítimas dizem que agressores seguem ocultos e protegidos após liberação de mais de 3 milhões de páginas, com menções a Trump, Musk e Gates
Divulgação do Departamento de Justiça expôs fotos e vídeos, mas sobreviventes afirmam que homens que as agrediram continuam protegidos e pedem publicação completa dos arquivos
Vítimas do caso Jeffrey Epstein afirmam que, mesmo com a liberação de documentos pelo governo dos Estados Unidos, os supostos agressores continuam fora do alcance da Justiça.
Os arquivos divulgados incluem imagens e vídeos que reacenderam debates sobre o alcance da rede de Epstein entre figuras públicas.
Em resposta, sobreviventes exigem a publicação integral dos arquivos e testemunho de autoridades, cobrando transparência e responsabilização.
conforme informação divulgada pelo g1
O que os arquivos revelam
O Departamento de Justiça liberou mais de três milhões de documentos relacionados a Epstein, entre os quais estão, segundo a própria pasta, pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos.
Segundo o Departamento de Justiça, parte dos documentos contém “alegações falsas e sensacionalistas” sobre Donald Trump, apresentadas ao FBI antes das eleições presidenciais de 2020.
Os documentos citam diversas figuras públicas, com menções a Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates, Steve Tisch e o ex-príncipe Andrew, entre outros.
Alguns registros incluem rascunhos e mensagens, como um e-mail no qual Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais, informação negada pela Fundação Gates, e uma troca entre Elon Musk e Epstein de 2012, em que Musk pergunta, segundo os arquivos, “Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?”.
Reação das vítimas e demandas
Um grupo de sobreviventes afirmou que os arquivos permitem a identificação de pessoas que sofreram abusos, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”.
A carta, assinada por 19 pessoas, algumas identificadas por pseudônimos ou iniciais, exige “a publicação completa dos arquivos Epstein” e pede que a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, preste depoimento ao Congresso no mês seguinte.
As vítimas e seus representantes dizem que a divulgação parcial ou censurada favorece a impunidade, e pedem investigação ampla sobre quem teria se beneficiado da rede de Epstein.
Posição das autoridades e próximos passos
O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou que a Casa Branca não participou do processo de revisão dos arquivos, declarando, “Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”.
Blanche, que já atuou como advogado de Trump, negou que materiais comprometedores sobre o presidente tenham sido excluídos, dizendo, “Não protegemos o presidente Trump”, e também, “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”.
O Departamento de Justiça minimizou expectativas de novas acusações com base na divulgação imediata dos documentos, e o vice-procurador-geral afirmou que a publicação “marca o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos”.
Ghislaine Maxwell, ex-companheira e cúmplice de Epstein, cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de menores e é a única outra pessoa acusada publicamente pelos crimes do financista até o momento.
Epstein morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores, e a morte foi declarada suicídio.
Implicações públicas e políticas
Donald Trump e o ex-presidente Bill Clinton aparecem com frequência nos documentos divulgados, embora nenhum tenha sido acusado nos processos relacionados a Epstein até agora.
Trump resistiu por meses à divulgação, mas sancionou uma lei exigindo a publicação de todos os documentos após pressão dentro do Partido Republicano, que cobra transparência sobre o caso.
Enquanto a divulgação amplia o material disponível para pesquisadores e a imprensa, sobreviventes e ativistas seguem cobrando investigação completa e responsabilização, insistindo na publicação integral dos arquivos e em depoimentos de autoridades.
O caso segue sob escrutínio público, com demandas de vítimas por mais ações concretas, mesmo após a liberação dos arquivos pelo Departamento de Justiça.