Caso Epstein: vítimas dizem que agressores seguem ocultos e protegidos após liberação de milhões de páginas, citações a Trump, Elon Musk, Bill Gates e príncipe Andrew

Caso Epstein segue gerando polêmica após divulgação massiva de arquivos, vítimas alegam que responsáveis continuam protegidos e exigem transparência imediata

As novas páginas divulgadas reacenderam o debate sobre impunidade e cobertura, com sobreviventes afirmando que os homens que abusaram delas permanecem fora do alcance da justiça.

Os documentos liberados incluem fotos, vídeos e mensagens que citam figuras públicas, mas, segundo as vítimas, deixam lacunas que favorecem os acusados.

As informações sobre a divulgação e as reações foram publicadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1

O que foi divulgado e o conteúdo dos arquivos

O Departamento de Justiça publicou mais de três milhões de documentos relacionados ao Caso Epstein, entre eles pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos, segundo autoridades.

Entre os registros estão rascunhos de e-mail, mensagens e materiais que citam nomes como Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe Andrew, além de outros agentes e associados ligados ao operador financeiro Jeffrey Epstein.

Autoridades do governo afirmaram que parte do material contém “alegações falsas e sensacionalistas” sobre Trump, e que houve um processo de revisão para remover imagens sensíveis de vítimas, com exceção de materiais que envolvem Ghislaine Maxwell.

Reação das vítimas e pedidos de investigação completa

Em carta assinada por 19 pessoas, algumas identificadas apenas por pseudônimos ou iniciais, sobreviventes afirmam que os arquivos permitem sua identificação, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”.

O grupo exige a “publicação completa dos arquivos Epstein” e solicita que a ex-procuradora-geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso no mês seguinte, como forma de esclarecer omissões e possíveis blindagens.

As vítimas afirmam que, apesar da amplitude dos documentos liberados, ainda há informações cruciais faltando, e que a divulgação parcial não atende ao pedido por responsabilização dos envolvidos.

Posicionamento do Departamento de Justiça e do governo

O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou, em coletiva, que a Casa Branca não participou da revisão dos arquivos, e que “Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar“.

Blanche também negou que tenham sido omitidos conteúdos comprometedores sobre o presidente Donald Trump, ao declarar, “Não protegemos o presidente Trump“, e, “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém“.

O vice-procurador-geral disse que a divulgação marca “o fim de um processo muito completo de identificação e revisão de documentos”, e reconheceu que a publicação ocorreu com atraso em relação ao prazo definido pela lei.

Trechos polêmicos e implicações públicas

Nos arquivos há um rascunho de e-mail em que Epstein afirma que Bill Gates teve relações extraconjugais, informação que a Fundação Gates negou ao jornal New York Times.

Outra mensagem mostrada nas páginas é uma troca entre Elon Musk e Epstein, de 2012, na qual Musk pergunta, “Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?”, declaração que Musk disse poder ser “mal interpretada” por detratores, e que pediu investigação contra aqueles que, junto de Epstein, cometeram crimes graves.

Os documentos também descrevem interações que ligam outras personalidades, e mencionam convites, encontros e apresentações, sem que, até o momento, novos indiciamentos tenham sido anunciados além dos que já ocorreram, como no caso de Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos de prisão.

Contexto legal e próximos passos

Jeffrey Epstein morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores, morte que foi declarada suicídio.

A publicação dos arquivos foi exigida pela Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, Epstein Files Transparency Act, que estipulava a divulgação até 19 de dezembro, prazo que não foi cumprido, segundo autoridades.

Fontes do governo afirmam que a divulgação seguiu critérios técnicos e de proteção às vítimas, mas as críticas continuam, e as vítimas pedem mais, incluindo o depoimento de responsáveis e a publicação integral dos documentos, para que o Caso Epstein não termine sem respostas sobre a extensão das redes e a eventual impunidade de acusados.