quinta-feira, junho 4, 2026

Caso Master: Ailton de Aquino, diretor do BC, nega ter recomendado compra de carteiras fraudadas, abre sigilo bancário e entrega registros ao MP e à PF

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Ailton de Aquino afirma que não recomendou aquisição de carteiras fraudadas, e coloca à disposição do MPF e da PF suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas

O Banco Central divulgou comunicado público para defender o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, no episódio relacionado à liquidação do Banco Master e à tentativa de compra pelo Banco de Brasília, o BRB.

Segundo a nota, a área de supervisão comandada por Ailton identificou inconsistências em operações e promoveu investigações técnicas que, segundo o BC, demonstraram a insubsistência dos ativos das carteiras envolvidas.

O diretor também afirmou que “jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas” e renunciou ao sigilo de seus dados bancários, fiscais e registros de conversas com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, colocando-os à disposição das autoridades, conforme informação divulgada pelo g1.

O que o Banco Central informou

O BC afirmou que, sob o comando do diretor Ailton de Aquino, a área de supervisão foi responsável pela identificação de inconsistências nas operações, “tendo, de imediato, promovido rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras”.

O comunicado acrescenta que “Foi igualmente da área chefiada pelo diretor Ailton de Aquino a iniciativa de promover a comunicação dos ilícitos criminais ao Ministério Público Federal, acompanhada de documentação comprobatória e criteriosas análises técnicas”.

Abertura de sigilo e registros das conversas

Em nota divulgada pelo BC, Ailton renunciou ao sigilo sobre suas informações para facilitar as apurações, e disponibilizou registros das conversas que manteve com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

O texto oficial traz a declaração integral, “Por fim, imbuído de seu compromisso com a transparência e cioso de suas responsabilidades como servidor público e como cidadão, o Diretor Ailton de Aquino coloca à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente”.

Medida prudencial, liquidação e responsabilidades

O Banco Central destacou que aplicou uma medida prudencial preventiva ao BRB, com o objetivo de prevenir novas operações que pudessem afetar a liquidez da instituição.

O BC afirma que foi iniciativa do diretor submeter à diretoria a proposta de liquidação extrajudicial das instituições do Conglomerado Master, em razão, inclusive, dos ilícitos nelas perpetrados.

A autoridade monetária também ressaltou sua obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez e as aquisições de ativos entre instituições, visando assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e resguardar os interesses de depositantes, investidores e credores.

Além disso, o comunicado recorda que compete a cada instituição financeira a “exclusiva e integral responsabilidade pela análise da qualidade dos créditos que adquire em mercado, devendo manter os procedimentos e controles internos necessários para o adequado gerenciamento dos riscos de seus negócios”.

Desdobramentos e investigação

As medidas do BC e a abertura de sigilos devem facilitar as apurações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal sobre supostos ilícitos envolvendo o Banco Master, enquanto o BRB e outras partes envolvidas seguem como alvos de investigação e avaliações sobre impactos de liquidez.

Fontes oficiais e documentos do processo ainda deverão ser analisados para esclarecer a sequência de decisões que levaram à liquidação e às ações adotadas pelo Banco Central.

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