Movimento no Supremo pode devolver o Caso Master para a Justiça Federal depois do Carnaval, com foco em reduzir o desgaste público e evitar que novas decisões amplifiquem controvérsias
As conversas entre ministros do Supremo Tribunal Federal ganharam intensidade nas últimas semanas, diante de críticas à condução do inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master.
Há pressão para que a relatoria do processo, hoje com o ministro Dias Toffoli, resulte em decisão que devolva os inquéritos à primeira instância, onde corriam separadamente em Brasília e em São Paulo.
O movimento para o retorno das investigações ocorrer após o Carnaval, conforme informação divulgada pelo g1
Por que a devolução à primeira instância ganhou força
A proposta de devolver o Caso Master à Justiça Federal se fortaleceu após declarações internas no STF e a avaliação de que não há, atualmente, elementos que justifiquem manter o processo na Corte.
Os autos subiram ao STF a partir da apreensão, pela Polícia Federal, de um documento na operação Compliance Zero citando o deputado federal João Carlos Bacelar, que tem foro privilegiado. Desde então, segundo a reportagem, não há documentos ou provas que envolvam o deputado, que sequer é investigado, o que fragiliza a permanência do caso no Supremo.
Críticas à atuação de Dias Toffoli
A atuação do relator gerou divergências, inclusive entre ministros, por decisões tidas como incomuns. Entre as medidas apontadas estão a de restringir acesso da PF a celulares apreendidos nas operações policiais e a ordem para acareação entre técnicos do Banco Central, que decretou a liquidação do Master, e executivos do banco de Vorcaro.
O episódio ampliou o desgaste institucional, e o presidente do STF, Edson Fachin, voltou antecipadamente das férias para tratar do tema com colegas, numa tentativa de reduzir o impacto político e jurídico do caso.
Revelações sobre transação envolvendo família do ministro
Nas últimas reportagens foi revelado que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro do STF em um resort na cidade de Ribeirão Claro, no Paraná, informação que elevou o escrutínio sobre a condução do inquérito.
As denúncias sobre a transação foram divulgadas por veículo de imprensa e confirmadas por outras emissoras, e passaram a compor o cenário que motiva a busca por uma solução que minimize o desgaste da Corte.
Próximos passos e calendário
Segundo interlocutores do tribunal, a decisão sobre o encaminhamento do Caso Master caberá ao próprio relator, Dias Toffoli, e deve ser tomada depois do Carnaval. A movimentação envolve consultas internas e tentativas de conciliar segurança jurídica e preservação da imagem institucional do STF.
Se a devolução for confirmada, os inquéritos voltariam a tramitar nas justiças federais do Distrito Federal e de São Paulo, onde continuarão as apurações sobre as fraudes financeiras bilionárias e atos relacionados às operações policiais.