quinta-feira, junho 4, 2026

Caso Master expõe falta de diálogo entre Fazenda e Banco Central na gestão de Campos Neto, Haddad afirma que auditoria interna do BC apura fiscalização do banco

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Ministro afirma que interlocução com o Banco Central só começou com Galípolo, auditoria interna apura ações desde 2019 e investigação levou MP e PF a atuar no caso

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não houve diálogo entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto.

Em novembro do ano passado, o Banco Central instaurou um procedimento interno para investigar eventuais falhas no processo de fiscalização e na liquidação extrajudicial do Banco Master.

O foco da auditoria está nas medidas adotadas desde 2019, e a apuração avançou a ponto de envolver o Ministério Público e a Polícia Federal, conforme informação divulgada pelo g1

Auditoria interna e sigilo do procedimento

O procedimento no Banco Central começou logo depois da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master e tramita em sigilo no órgão. A medida foi tomada pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, e busca identificar por que a área técnica demorou a detectar o crescimento de operações de risco na instituição.

Fontes consultadas indicam que, apesar de defesas de ex-gestores alegarem que a liquidação foi precipitada, a principal linha de trabalho da auditoria é a de que existiam elementos para a medida ter sido tomada em momento anterior.

O relato de Haddad sobre a falta de interlocução

Ao comentar o caso, Haddad afirmou que, no período em que Campos Neto presidiu o BC, não houve comunicação entre o órgão e o Ministério da Fazenda. Em suas palavras, “Não houve dialogo do BC com Fazenda a não ser a partir da posse do [atual presidente, Gabriel] Galípolo.

Haddad acrescentou que “O Gabriel, logo que assumiu, percebeu o tamanho do ‘acabaxi’ que ele tinha, viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras”.

Sobre a gravidade dos indícios, o ministro também disse, “E quando você detecta uma fraude, que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, ai não tem muito como manter no interior do Banco Central o problema, Você não está falando de má gestão, você está falando de crime”.

Questionado sobre um eventual encontro com o dono do banco, Haddad declarou que “sequer conhecia a imagem dele”.

Linhas de investigação e defesa dos envolvidos

A auditoria do BC tem como objetivo, sobretudo, entender o atraso na identificação das operações de risco e avaliar as decisões técnicas que levaram à liquidação. Investigações apontam para suspeitas de fraude em carteiras, o que justificou o acionamento de autoridades externas ao BC.

As defesas dos ex-gestores do Banco Master argumentaram que a liquidação pode ter sido precipitada, mas o trabalho interno do BC indica que havia elementos que permitiam antecipar a medida.

Próximos passos e impacto no sistema financeiro

Por se tratar de processo sigiloso, o BC não divulgou detalhes do procedimento, e a auditoria segue em andamento para subsidiar eventuais ações administrativas ou judiciais.

Especialistas afirmam que a investigação é relevante para avaliar controles de supervisão e a comunicação entre autoridades, e que desfechos podem gerar recomendações para aprimorar a fiscalização de instituições que apresentam crescimento rápido em operações de risco.

O caso segue em atualização conforme apurações do Banco Central e das autoridades competentes, e novas informações podem ser divulgadas à medida que o procedimento deixar de tramitar em sigilo, conforme informação divulgada pelo g1

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