Caso Master: Haddad afirma que não houve diálogo entre Fazenda e Banco Central na gestão de Campos Neto, e que auditoria interna apura falhas desde 2019
Haddad afirma que não houve interlocução entre Fazenda e Banco Central na gestão de Campos Neto, e que a auditoria interna do BC investiga medidas tomadas desde 2019
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que não houve diálogo entre a Fazenda e o Banco Central durante a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto.
O Banco Central instaurou um procedimento interno para apurar eventuais falhas na fiscalização e na liquidação do Banco Master, em processo que corre em sigilo.
As informações sobre a auditoria, e o foco nas medidas adotadas desde 2019, foram divulgadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a auditoria busca esclarecer
A apuração do Banco Central começou em novembro do ano passado e é sigilosa, segundo reportagens. O objetivo oficial é verificar por que a área técnica demorou a identificar o aumento das operações de risco do Banco Master.
Defesas de ex-gestores chegaram a questionar se a liquidação foi precipitada, mas a principal linha de trabalho da auditoria é a de que existiam elementos para a medida ter sido tomada antes, conforme reportado pela imprensa.
Decisões na gestão de Campos Neto e o foco em 2019
A auditoria concentra-se nas medidas adotadas durante a gestão de Roberto Campos Neto, que estava à frente do órgão desde 2019, e busca entender o cronograma de ações e eventuais omissões da supervisão.
O procedimento interno visa, principalmente, descobrir por que a fiscalização técnica não detectou antes o crescimento das operações de risco do banco investigado.
Declarações de Haddad sobre o caso
Questionado, Haddad afirmou, literalmente, “Não houve dialogo do BC com Fazenda a não ser a partir da posse do [atual presidente, Gabriel] Galípolo. O Gabriel, logo que assumiu, percebeu o tamanho do ‘acabaxi’ que ele tinha, viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras”, afirmou o ministro.
O ministro também declarou, nas mesmas palavras da reportagem, “E quando você detecta uma fraude, que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, ai não tem muito como manter no interior do Banco Central o problema. Você não está falando de má gestão, você está falando de crime”, prosseguiu.
Sobre um encontro com o dono do banco, Haddad disse que “sequer conhecia a imagem dele”.
Haddad ainda relatou, conforme a reportagem, “Sabia do problema do banco [Master], tinha uma disputa de narrativa acontecendo, alguns diziam que era uma grande instituição financeira que estava surgindo e isso estava incomodando a concorrência, e outros dizendo isso não é sustentável, vai estourar. Tinha uma disputa de narrativas, mas logo que o Gabriel assumiu essa questão se desfez, porque o Gabriel se debruçou sobre o assunto e logo percebeu o tamanho do problema”.
Próximos passos e implicações
A auditoria interna do BC deve complementar investigações que podem envolver Ministério Público e Polícia Federal, caso sejam confirmadas suspeitas de fraude. O caráter sigiloso do processo limita, por ora, o detalhamento público das conclusões.
O desfecho da apuração poderá indicar responsabilidades internas e orientar mudanças nos procedimentos de supervisão, caso sejam identificadas falhas na atuação técnica ao longo do período analisado.