Caso Master: Haddad afirma que não houve diálogo entre Fazenda e BC na gestão Campos Neto, auditoria interna do BC investiga falhas desde 2019
Haddad afirma que interlocução entre Fazenda e Banco Central só passou a ocorrer com Gabriel Galípolo, e que auditoria do Caso Master busca entender decisões adotadas desde 2019
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não havia diálogo entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda durante a gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto.
Segundo Haddad, a comunicação só começou a ocorrer após a posse de Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, quando foram detectadas suspeitas que motivaram a abertura de investigação interna.
As informações sobre a auditoria e as declarações do ministro foram divulgadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1
Auditoria interna instaurada após liquidação e em sigilo
O Banco Central abriu um procedimento interno em novembro do ano passado para investigar eventuais falhas no processo de fiscalização e na liquidação extrajudicial do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.
O procedimento foi adotado por Gabriel Galípolo logo após a decretação da liquidação, e o processo corre em sigilo no BC, conforme o relato obtido pelo blog da Ana Flor, no g1.
Foco nas medidas adotadas na gestão de Roberto Campos Neto
Segundo informações publicadas no g1, o foco da auditoria está nas medidas tomadas durante a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto, que estava à frente do órgão desde 2019.
Apesar de defesas de ex-gestores afirmarem que a liquidação foi precipitada, a principal linha de trabalho da auditoria é a de que existiam elementos para a medida ter sido tomada antes, segundo o blog.
Declarações de Haddad sobre fraude e atuação do BRB
Questionado sobre a comunicação entre Fazenda e BC e sobre a atuação do novo comando, Haddad disse, “Não houve dialogo do BC com Fazenda a não ser a partir da posse do [atual presidente, Gabriel] Galípolo. O Gabriel, logo que assumiu, percebeu o tamanho do ‘acabaxi’ que ele tinha, viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras”.
O ministro acrescentou, “E quando você detecta uma fraude, que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, ai não tem muito como manter no interior do Banco Central o problema. Você não está falando de má gestão, você está falando de crime”, ressaltando a gravidade das suspeitas apontadas pela nova gestão do BC.
Posição pessoal de Haddad sobre Vorcaro e próximas etapas
Haddad também afirmou que não conhecia pessoalmente o controlador do banco, ao dizer que “sequer conhecia a imagem dele”.
Segundo as apurações relatadas no g1, a auditoria visa, sobretudo, descobrir por que a área técnica do BC demorou a detectar o aumento das operações de risco do Banco Master, e se houve falhas que retardaram a adoção de medidas administrativas e de supervisão.
Com o andamento do procedimento interno, a expectativa é que o BC esclareça os prazos, as decisões técnicas e eventuais responsabilidades, enquanto autoridades como o Ministério Público e a Polícia Federal já foram acionadas em razão das suspeitas levantadas pela nova direção do Banco Central.