Caso Master, Haddad classifica fraude como muito grave e pede rastrear e recuperar o dinheiro desviado enquanto investigações avançam

Fernando Haddad afirma que o dinheiro do Caso Master precisa ser recuperado, que Gabriel Galípolo ‘herdou um abacaxi’, e que as investigações devem apontar responsáveis

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a fraude ligada ao Banco Master é “muito grave” e que é necessário rastrear e recuperar o dinheiro desviado.

Haddad afirmou que o Ministério da Fazenda tomou conhecimento do problema no ano passado, quando Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central, e que o novo comando recebeu uma crise já instalada.

O ministro defendeu a atuação do Banco Central na liquidação extrajudicial e pediu que as investigações apontem os responsáveis pelos eventuais crimes.

conforme informação divulgada pelo g1

O que o Banco Central constatou

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a autoridade identificar uma profunda crise de liquidez, o que significa que o banco não tinha recursos suficientes para honrar compromissos com clientes e investidores.

Em depoimento, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, disse que banco de Daniel Vorcaro tinha apenas R$ 4 milhões em caixa quando foi liquidado, recursos insuficientes e incompatíveis para uma instituição de médio porte.

Posicionamento de Haddad e citações-chave

Haddad qualificou o episódio como de grande dimensão, ao afirmar, “Fico perplexo com o tamanho que o problema atingiu, uma proporção absurda. Espero que as investigações levem aos responsáveis. Está sendo visto como a maior fraude bancária da história do Brasil. Alguém tem que tomar a providência de recuperar esse dinheiro, de rastrear, e colocar em pratos limpos o que aconteceu. É muito grave”.

O ministro também disse que Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chefiar o BC em janeiro de 2025, “herdou um abacaxi” e recebeu uma “crise já instalada” quando assumiu o cargo.

Sobre a atuação do novo presidente do BC, Haddad afirmou que “Galípolo tomou as medidas necessárias, inclusive com envolvimento do Ministério Público e Polícia Federal quando era o caso. Em crime, o BC não atua. Ele é o supervisor das instituições financeiras”.

Impacto financeiro e operações envolvendo o BRB

As investigações também apontaram operações que ampliaram o impacto do colapso do Master em outras instituições. Segundo as apurações, o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras.

Segundo o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, o BRB pode precisar de mais de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo causado por essas operações, o que mostra a dimensão do contágio entre instituições.

Especialistas ouvidos e autoridades públicas dizem ser fundamental rastrear os recursos, responsabilizar envolvidos e recuperar valores, para reduzir prejuízos a clientes e ao sistema financeiro.