Ministro da Fazenda cobra investigação e recuperação dos recursos após liquidação do banco, e afirma que novo presidente do BC recebeu uma crise já instalada
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, definiu como muito grave a fraude ligada ao banco Master e pediu medidas para rastrear e recuperar os recursos desviados.
Haddad afirmou que o Ministério da Fazenda só tomou conhecimento do problema no Master no ano passado, quando Gabriel Galípolo assumiu como presidente do Banco Central.
O episódio levou à liquidação extrajudicial do Master em novembro, após o BC identificar uma profunda crise de liquidez, conforme informação divulgada pelo g1.
O que o Banco Central concluiu
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master ao constatar que o banco não tinha recursos suficientes para honrar compromissos com clientes e investidores.
Em depoimento, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, disse que banco de Daniel Vorcaro tinha apenas R$ 4 milhões em caixa quando foi liquidado, recursos insuficientes e incompatíveis para uma instituição de médio porte.
As investigações também apontam operações que envolveram outras instituições, como a compra pelo BRB de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras, e que o BRB pode precisar de mais de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo causado por essas operações.
Posição de Fernando Haddad
Haddad cobrou a recuperação do dinheiro desviado e pediu responsabilização dos responsáveis. Em entrevista à Band News, ele afirmou, “Fico perplexo com o tamanho que o problema atingiu, uma proporção absurda. Espero que as investigações levem aos responsáveis. Está sendo visto como a maior fraude bancária da história do Brasil. Alguém tem que tomar a providência de recuperar esse dinheiro, de rastrear, e colocar em pratos limpos o que aconteceu. É muito grave”.
O ministro ressaltou que Galípolo “herdou um abacaxi” e recebeu uma “crise já instalada” ao assumir a presidência do BC, e avaliou que o novo comandante “tomou as medidas necessárias”.
Sobre o papel do Banco Central, Haddad disse, “Galípolo tomou as medidas necessárias, inclusive com envolvimento do Ministério Público e Polícia Federal quando era o caso. Em crime, o BC não atua. Ele é o supervisor das instituições financeiras”.
Consequências e próximos passos
Autoridades afirmam que o foco imediato é rastrear ativos e recuperar recursos para reparar prejuízos a clientes e investidores. As apurações envolvem órgãos como o Ministério Público e a Polícia Federal, quando há indícios de crime.
Analistas avaliam que as descobertas podem levar a medidas judiciais e administrativas, além de exigir verificações adicionais sobre operações entre bancos, e garantir transparência sobre onde e como os recursos foram movimentados.