Documentos indicam que parentes de Daniel Vorcaro e João Mansur figuraram como sócios para esconder controle de fundos, Reag foi liquidada e fundos seguem ativos
A Polícia Federal investigou a atuação de familiares de sócios do Banco Master e da Reag Investimentos, e concluiu que parentes foram usados para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento.
Segundo a apuração, os nomes que apareciam formalmente como administradores ou gestores não correspondiam aos verdadeiros controladores, e a Reag teria sido utilizada para movimentar recursos do Banco Master.
As informações constam de documentos citados pela investigação e da decisão do Banco Central que decretou a liquidação extrajudicial da gestora, conforme informação divulgada pelo g1.
Uso de familiares para ocultação de controle
A investigação aponta que Daniel Vorcaro, do Banco Master, e João Mansur, ligado ao grupo Reag, seriam os controladores efetivos, enquanto parentes figuravam à frente dos negócios. A PF diz que houve utilização da Reag para desvio de valores do Banco Master.
O relatório policial registra que, no caso de Mansur, “os filhos de Mansur “foram utilizados para a prática dos crimes””, e no entorno de Vorcaro, o pai, Henrique, a irmã e o cunhado chegaram a ser alvo de operação.
O material da investigação também detalha a estrutura operacional usada para camuflar o controle dos fundos, com a participação de várias pessoas e entidades que formalmente assumiam posições, mas não exerciam o controle efetivo.
Trecho oficial citado pela investigação
Em trecho citado nos autos, o documento assinado por Toffoli afirma, textualmente, “Tais fatos restaram muito bem elucidados na representação do Banco central por meio de fluxograma que demonstra o uso de diversos FIDIC’S para a operacionalização das fraudes no Banco Master, de modo similar ao verificado na representação policial inaugural”.
A frase foi usada para reforçar a conexão entre estruturas formais e operações que teriam servido para ocultar responsabilidades e movimentar recursos entre as empresas envolvidas.
Liquidação extrajudicial da Reag pelo Banco Central
Na quinta-feira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, que geria fundos do grupo Reag.
Com a medida, as operações da gestora foram encerradas de imediato, e, embora a decisão atinja a instituição, os fundos administrados permanecem ativos, porém precisarão buscar novas instituições para assumir a administração.
O BC justificou a liquidação afirmando que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”.
Desdobramentos e investigação em curso
A Reag é alvo de pelo menos duas operações da Polícia Federal, incluindo investigações relacionadas ao Caso Master e à chamada Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Autoridades e reguladores ainda aprofundam perícias e diligências, e decisões judiciais podem ampliar buscas e apreensões. A investigação segue em evolução, e novas informações podem surgir com as análises de celulares e documentos apreendidos, conforme informado pelo g1.
O episódio reforça a atenção sobre práticas de governança em gestoras e bancos, e sobre a necessidade de transparência na administração de fundos, pontos centrais nas apurações do Caso Master.