quinta-feira, junho 4, 2026

Caso Master: relator do TCU, Jhonatan de Jesus, aceita pedido do Banco Central, manifesta insatisfação e encaminha inspeção sobre liquidação do Banco Master ao Plenário

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Relator manteve defesa de inspeção liderada pelo Banco Central, afirmou poderes regimentais para determinar diligências e citou a dimensão pública que justificaria levar o tema ao Plenário

O relator no Tribunal de Contas da União, ministro Jhonatan de Jesus, acolheu o pedido do Banco Central para que o plenário do TCU delibere sobre a inspeção relativa à liquidação do Banco Master, e ao fazê-lo deixou explícita sua insatisfação com a medida.

Na decisão, o ministro reafirmou o entendimento de que tem competência para determinar a inspeção de forma monocrática e para conduzir diligências necessárias à instrução do processo, mesmo diante da controvérsia sobre a forma de autorização.

Os trechos do despacho e o contexto da decisão foram divulgados à imprensa, apontando pressão de autoridades e a dimensão pública assumida pelo caso, conforme informação divulgada pelo g1.

Argumentos do relator e citações do despacho

Em seu despacho, Jhonatan de Jesus escreveu que “sob o ângulo regimental, não procede a premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado”.

O relator também afirmou que “O Regimento Interno do TCU contempla poderes do relator para determinar diligências e inspeções quando necessárias ao saneamento e à instrução do processo”, defendendo, assim, a prerrogativa de agir sem aguardar decisão colegiada quando entender cabível.

Decisão de levar ao Plenário e a referência à dimensão pública

Apesar de reafirmar sua posição, Jhonatan explicou que a escolha por submeter a controvérsia ao Plenário decorreu da exposição pública do caso, que ganhou contornos além do usual.

Como justificativa, o relator registrou que “Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria”.

Pressões e repercussões políticas

Fontes informaram que houve movimento para adiar a inspeção, e que o presidente do TCU recebeu contatos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em meio às cobranças para que o governo defendesse o BC.

O episódio mostra um cruzamento entre questões técnicas de regimento interno e a interpretação sobre quem deve conduzir a apuração da liquidação do Banco Master, com impacto político e institucional na relação entre o TCU e o Banco Central.

Nos próximos passos, caberá ao Plenário avaliar se endossa a inspeção conduzida a pedido do BC e como serão definidas as diligências, enquanto o debate sobre limites regimentais para atuação monocrática do relator permanece no centro da discussão.

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