Caso Master: Toffoli deve devolver inquéritos à primeira instância após o Carnaval, solução no STF busca afastar desgaste político e polêmicas sobre resort
Negociação no Supremo prevê retorno das investigações às justiças federais de Brasília e de São Paulo, decisão ficará a cargo do relator Dias Toffoli e está prevista para depois do Carnaval
Caso Master segue no centro de uma articulação no Supremo Tribunal Federal para reduzir o desgaste político e institucional em torno das apurações sobre fraudes financeiras bilionárias.
Fontes indicam que a solução em negociação é a devolução dos inquéritos para a primeira instância, onde as investigações corriam separadamente, em Brasília e em São Paulo, com a justificativa de que não há mais motivos para manter o caso no STF.
Essa avaliação, e a expectativa de decisão após o feriado de Carnaval, foram relatadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a proposta ganhou força
A ideia de mandar o processo de volta ganhou tração depois de declarações internas no Supremo sobre a manutenção da relatoria. O presidente do STF, Edson Fachin, voltou antes do previsto de férias para tratar do caso com colegas, e, segundo relatos, defendeu que em uma democracia não caberia ao presidente retirar de um ministro uma relatoria.
Com a conclusão das investigações da Polícia Federal e a provável inexistência de novos fatos envolvendo o deputado João Carlos Bacelar, que aparece em documento apreendido na operação Compliance Zero, a avaliação é a de que não haveria motivos sólidos para manter o caso no Supremo.
Críticas à atuação de Dias Toffoli
A condução do Caso Master por Dias Toffoli recebeu críticas no meio jurídico e político por medidas consideradas, até por colegas, “atípicas”. Entre as decisões que geraram polêmica, foram citadas, literalmente, “restringir acesso da PF a celulares apreendidos nas operações policiais”, “ordem para acareação entre técnicos do Banco Central, que decretou a liquidação do Master, e executivos do banco de Vorcaro”.
Também foi noticiado que Dias Toffoli viajou em avião particular junto com advogado do Banco Master, fato que intensificou o debate sobre eventual conflito de interesses e a condução do processo.
Conexão com negócios da família do ministro
Reportagens recentes divulgaram que fundos ligados ao Master compraram a participação de irmãos do ministro do STF em um resort em Ribeirão Claro, no Paraná. A transação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo, e aumentou a pressão política em torno do caso.
Esses fatos reforçaram a argumentação de que o retorno à primeira instância poderia reduzir o desgaste institucional do Supremo, ao tirar da Corte a aparência de protagonismo nas investigações.
Próximos passos e implicações
A decisão final caberá ao relator, Dias Toffoli, e deverá ser tomada depois do Carnaval. Se os inquéritos forem devolvidos, as apurações seguirão nas justiças federais de origem, o que pode alterar prazos e estratégias das defesas e da própria Polícia Federal.
Enquanto isso, o episódio serve como alerta sobre a necessidade de blindagem entre decisões judiciais e vínculos pessoais, e tende a provocar debates sobre foro privilegiado, competência e transparência em apurações complexas.