quinta-feira, junho 4, 2026

Centenas protestam contra agentes do ICE em Milão durante Olimpíadas de Inverno, moradores e políticos questionam presença americana na segurança e denunciam abusos

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Manifestantes reunidos na Piazza XXV Aprile afirmam, com faixas e discursos, que não querem agentes do ICE em Milão, e pedem transparência sobre a função da unidade durante os Jogos

Centenas de pessoas se reuniram em Milão no sábado, 31 de janeiro, para protestar contra a presença anunciada de uma unidade do ICE, a Agência Federal de Imigração dos EUA, durante os Jogos Olímpicos de Inverno.

O ato ocorreu na Piazza XXV Aprile, local simbólico que homenageia a libertação da Itália do fascismo e que, segundo os organizadores, não seria adequado para receber representantes de uma força associada a políticas migratórias rígidas.

Os manifestantes cargaram faixas e palavras de ordem, e criticaram tanto a vinda dos agentes quanto a imagem que associam aos métodos de repressão, conforme informação divulgada pelo g1.

O que levou à manifestação

Organizações locais, incluindo membros do Partido Democrático, a confederação sindical CGIL e a ANPI, participaram do protesto para expressar desconforto com a presença estrangeira ligada à segurança dos Jogos.

Segundo relatos, a divisão do ICE foi selecionada para participar da segurança da delegação olímpica americana, e “os agentes deverão ficar alocados em uma sala de controle, sem atuar diretamente nas ruas”, frase que foi citada pela imprensa ao relatar o envio.

Apesar do papel restrito anunciado, a presença gerou reação imediata entre ativistas e políticos, que temem precedentes e associam a unidade a práticas de repressão observadas nos EUA.

Mensagens e acusações no protesto

Faixas e cartazes reproduziram mensagens diretas, como “Sem ICE em Milão” e slogans que ligam a atuação da agência a episódios de violência, incluindo uma placa com os dizeres “ICE = Gestapo”.

Uma das faixas dizia, “Não, obrigada. De Minnesota para o mundo, ao lado de todos que lutam pelos direitos humanos”, outra afirmava, “‘Nunca mais’ significa ‘nunca mais’ para qualquer pessoa”, e uma terceira fazia trocadilho, “ICE só no Spritz”.

Participantes citaram imagens e casos de atuação policial nos EUA como motivo de indignação, e descreveram a presença da unidade como incompatível com a memória antifascista do local escolhido para o protesto.

Reações oficiais e questionamentos políticos

A notícia do envio dos agentes provocou repercussão política em nível local e nacional, com o prefeito de Milão afirmando que os agentes não eram bem-vindos, e com o Ministro do Interior sendo convocado ao Parlamento para prestar esclarecimentos sobre a decisão.

Líderes do protesto ressaltaram que, mesmo reconhecendo a natureza investigativa atribuída a parte da força, não aceitam a presença dos agentes em solo italiano, apontando que a discussão extrapola a segurança dos Jogos e atinge temas de soberania e direitos humanos.

Unidade do ICE envolvida e implicações

Fontes citadas pela imprensa esclarecem que os agentes enviados não seriam da unidade de remoção e deportação conhecida como ERO, mas de uma divisão voltada a crimes transfronteiriços, a Homeland Security Investigations, HSI.

A distinção entre as unidades foi mencionada durante o protesto, mas não impediu a insatisfação pública, pois muitos presentes associam a sigla ICE a episódios de violência no exterior, e declaram que “Mesmo que não sejam os mesmos, não os queremos aqui”.

O caso abre um debate sobre como eventos internacionais devem articular cooperação de segurança entre países, equilibrando a proteção de delegações e a sensibilidade local quanto a memória histórica e práticas de policiamento.

Enquanto as Olimpíadas se aproximam, a questão deve continuar no centro do debate público em Milão, com autoridades locais cobrando transparência e limites claros para a atuação das equipes estrangeiras, e grupos civis prometendo manter a vigilância e a mobilização.

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