Cessar-fogo anunciado por Trump falha: Tailândia e Camboja intensificam conflitos na fronteira com mais mortes e deslocados

Confrontos persistem entre Tailândia e Camboja, desafiando anúncio de cessar-fogo de Trump

Horas após o presidente americano, Donald Trump, anunciar um acordo de cessar-fogo entre Tailândia e Camboja, a Tailândia declarou que manterá suas operações militares. O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, afirmou que as ações continuarão até que o território e o povo tailandês não se sintam mais ameaçados.

A escalada da violência na fronteira, que já dura sete dias, resultou em pelo menos 20 mortes e forçou mais de 500 mil moradores da região a fugir. A disputa territorial, que remonta ao início do século 20 e envolve áreas com templos históricos do Império Khmer, tem levado a acusações mútuas de reacender o conflito.

As informações foram divulgadas pelo G1, com base em reportagem da RFI. A situação na fronteira é de extrema tensão, com ambos os países intensificando as ações militares e a retórica de confronto, apesar das tentativas de mediação internacional.

Tailândia confirma ataques e destruição de infraestrutura cambojana

Autoridades militares tailandesas confirmaram ter realizado “ataques de retaliação” contra alvos no Camboja. Segundo um porta-voz da Força Aérea tailandesa, Chakrit Thammavichai, aeronaves do país “destruíram com sucesso” duas pontes no Camboja, que estariam sendo utilizadas para o transporte de armas. Ele assegurou que as operações utilizam “armas de alta precisão para evitar danos a civis inocentes”.

Trump anuncia cessar-fogo, mas realidade no terreno é outra

O anúncio de Trump, feito em sua rede social Truth, indicava uma conversa com os primeiros-ministros Anutin Charnvirakul (Tailândia) e Hun Manet (Camboja), na qual teriam concordado com um cessar-fogo a partir da noite de sexta-feira (12) e o retorno a um acordo de paz anterior, com assistência da Malásia. “Ambos os países estão prontos para a PAZ e a retomada do comércio com os Estados Unidos da América”, escreveu o presidente americano.

No entanto, o Ministério da Defesa do Camboja, através do canal X, declarou que as forças tailandesas utilizaram caças F-16 para lançar bombas sobre diversos alvos. O Ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra, acusou a Tailândia de ter “expandido seus ataques para incluir infraestrutura civil e civis cambojanos”.

Disputa antiga e histórico de cessar-fogos quebrados

A Tailândia e o Camboja disputam a soberania sobre pequenas faixas de território ao longo de sua fronteira de 800 quilômetros, uma área rica em templos do antigo Império Khmer. O conflito atual é uma retomada de hostilidades que já ocorreram anteriormente, como em julho, quando 43 pessoas morreram em cinco dias antes de um cessar-fogo mediado pelos EUA, China e Malásia.

Um acordo de cessar-fogo anterior, intermediado por Donald Trump em 26 de outubro, foi suspenso pela Tailândia semanas depois, após a explosão de uma mina terrestre que feriu soldados tailandeses. A crise política na Tailândia, que levará a eleições no início de 2026, também adiciona complexidade ao cenário.

O primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, reiterou o compromisso do Camboja com meios pacíficos e sugeriu que EUA e Malásia verifiquem “qual lado abriu fogo primeiro” em 7 de dezembro. Por outro lado, Charnvirakul, da Tailândia, declarou que “quem violou o acordo deve resolver a situação, não quem sofreu as consequências”.