CGT convoca greve geral de 24 horas contra a reforma trabalhista de Milei, que flexibiliza contratos, altera férias e foi aprovada no Senado por 42 a 30
Greve da CGT mira a reforma trabalhista de Milei, começará quando a Câmara iniciar o debate, não terá atos nas ruas, e amplia a tensão política enquanto o texto avança no Congresso
A maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho, anunciou uma paralisação nacional de 24 horas em resposta ao projeto de reforma trabalhista do presidente Javier Milei.
A mobilização foi convocada para começar assim que a Câmara dos Deputados iniciar o debate da proposta, que já passou pelo Senado e segue agora ao plenário da Câmara.
Segundo a CGT, a greve não terá atos ou mobilizações nas ruas, será apenas interrupção das atividades, conforme informação divulgada pelo g1.
O que prevê a reforma trabalhista
A reforma trabalhista apresentada por Javier Milei altera pontos centrais da legislação laboral argentina, com mudanças em contratos, férias, jornada e negociação coletiva.
O texto, considerado uma das maiores mudanças em décadas, flexibiliza contratos, altera regras de férias e jornada, facilita demissões e impõe limites ao direito de greve.
A reforma reúne dezenas de artigos e integra um pacote mais amplo de medidas voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento, segundo especialistas ouvidos pelo g1.
Votação no Senado e cronograma
A reforma trabalhista de Javier Milei foi aprovada no Senado por 42 votos a 30 na madrugada de quinta-feira (12).
A expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Congresso.
O texto ainda pode sofrer alterações na Câmara dos Deputados, onde terá debates intensos entre governo, oposição e sindicatos.
Reação dos sindicatos e tensão social
A convocação da greve aumenta a tensão entre o governo e os sindicatos, que têm forte influência política na Argentina.
Protestos contra a reforma já provocaram confrontos, por exemplo, manifestantes contrários à reforma entraram em confronto com a polícia em Buenos Aires, segundo relatos publicados pelo g1.
Sindicatos e partidos de oposição afirmam que a proposta fragiliza direitos históricos dos trabalhadores, e a greve tem o objetivo de pressionar deputados antes da votação.
Impactos e próximos passos
A paralisação anunciada pela CGT pode afetar serviços e setores chave, mesmo sendo definida como uma interrupção sem atos de rua.
Com o debate na Câmara previsto para antes do fim de fevereiro, o conflito entre governo e sindicatos será decisivo para a trajetória da reforma, e a proposta segue como ponto central do debate público e político na Argentina.