Chefe de gabinete do Reino Unido renuncia após indicação de Peter Mandelson ligada ao caso Epstein, McSweeney assume responsabilidade e governo de Starmer em xeque

Renúncia de Morgan McSweeney ocorre após revelações sobre vínculos de Peter Mandelson com Jeffrey Epstein, buscas da polícia e ameaça de expulsão da Câmara dos Lordes ao caso Epstein

O chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Morgan McSweeney, apresentou sua renúncia após admitir que aconselhou a nomeação de Peter Mandelson, citado em documentos ligados ao caso Epstein, como embaixador nos Estados Unidos.

McSweeney disse assumir total responsabilidade pelo seu papel na indicação, e afirmou que a decisão de nomear Mandelson foi errada, ao mesmo tempo em que o governo enfrenta questionamentos sobre verificações e bom senso na escolha.

As informações oficiais e as citações foram divulgadas em reportagens sobre o episódio, conforme informação divulgada pelo g1

Pedido de renúncia e responsabilidade pública

Em comunicado, McSweeney afirmou, “A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política”, e acrescentou, “Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho.”

Ao reconhecer o erro, McSweeney disse ter sido amigo e protegido de Mandelson, o que motivou críticas de integrantes do Partido Trabalhista e da oposição por suposta falta de checagens de antecedentes.

Buscas, investigação e medidas do governo

Na sequência das revelações, a polícia do Reino Unido cumpriu mandados de busca em dois endereços ligados a Peter Mandelson, um em Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outro em Camden, em Londres, segundo a BBC.

Antes das buscas, Mandelson já havia renunciado à Câmara dos Lordes, e o governo informou que preparava legislação para expulsá‑lo da casa e retirar seu título de nobreza.

O executivo também afirmou ter enviado um dossiê à polícia, que investiga alegações de que Mandelson teria repassado informações sensíveis do governo ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Reação de Keir Starmer e riscos políticos

O primeiro‑ministro Keir Starmer defendeu McSweeney ao longo da última semana, destacando que foi “uma honra” trabalhar com ele, e a posição pública do premiê pode aumentar os questionamentos sobre o julgamento político da nomeação.

A saída do chefe de gabinete agrava o que analistas consideram a crise mais séria enfrentada por Starmer em seus 18 meses no poder, e lança dúvidas sobre a estabilidade do governo trabalhista, eleito com ampla maioria.

Quem é Peter Mandelson e contexto histórico

Peter Mandelson foi figura central nos governos de Tony Blair e Gordon Brown, ocupou cargos de alto escalão e recebeu um título vitalício na Câmara dos Lordes, do qual se desvinculou recentemente.

Mandelson é casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, e as novas revelações sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein reacenderam investigações e debates sobre integridade na vida pública.

O caso deve evoluir com a divulgação de e‑mails e documentos prometida pelo governo, e com o prosseguimento das apurações policiais e parlamentares, mantendo no centro do debate as verificações de antecedentes e a confiança nas nomeações públicas.