Chefe de gabinete do Reino Unido renuncia após indicar Peter Mandelson ligado ao caso Epstein, em meio a buscas policiais e crise no governo Starmer

McSweeney assume responsabilidade pela nomeação de Peter Mandelson, citado em documentos do caso Epstein, e deixa o cargo diante de investigações e pressão política

O chefe de gabinete do Reino Unido, Morgan McSweeney, apresentou sua renúncia após admitir ter aconselhado a nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos, decisão que ela disse ter sido errada.

Documentos ligados ao caso Epstein sugeriram que Mandelson teria enviado informações confidenciais do mercado a Jeffrey Epstein quando atuava como secretário de Negócios, o que desencadeou investigações e buscas em endereços relacionados ao político.

A saída de McSweeney agrava uma crise para o primeiro-ministro Keir Starmer, que vinha defendendo o chefe de gabinete, e levanta dúvidas sobre o futuro do governo, conforme informação divulgada pelo g1.

Renúncia e responsabilidade política

Em comunicado, McSweeney afirmou, “A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política”, e acrescentou, “Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho”.

Parlamentares trabalhistas e opositores criticaram McSweeney por não ter garantido verificações de antecedentes consideradas adequadas na ocasião da indicação, e a pressão política para sua saída aumentou nas últimas semanas.

Buscas policiais e investigação sobre Mandelson

Na sexta-feira, a polícia do Reino Unido cumpriu mandados de busca em dois endereços ligados a Peter Mandelson, um em Wiltshire e outro na região de Camden, em Londres, em investigações sobre má conduta em cargo público.

Mandelson renunciou na última terça, 3, à Câmara dos Lordes, e já havia se desvinculado do Partido Trabalhista. O governo informou ter enviado um dossiê à polícia sobre alegações de que o político teria repassado informações sensíveis ao falecido criminoso sexual.

Impacto no governo Starmer e reações

A queda de McSweeney é vista como a crise mais grave dos 18 meses de governo de Keir Starmer, com questionamentos sobre o discernimento na escolha de nomes para cargos sensíveis.

O premiê defendeu McSweeney nos últimos dias, e em comunicado disse que foi “uma honra” trabalhar com ele, posição que, segundo analistas, pode intensificar críticas sobre o processo de nomeações.

Próximos passos e consequências institucionais

O governo prepara a divulgação de e-mails e outros documentos relacionados à nomeação de Mandelson, com a intenção de demonstrar que o ex-ministro teria enganado as autoridades, segundo o próprio executivo.

Além disso, havia trabalho em uma proposta de lei para expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes e retirar seu título de nobreza, e a investigação em curso deverá definir se serão apresentadas novas acusações ou medidas administrativas.

O caso terá desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos dias, e a pressão por transparência e responsabilidade nas nomeações públicas deve permanecer alta.