quinta-feira, junho 4, 2026

Chefe de gabinete do Reino Unido renuncia após recomendar Peter Mandelson como embaixador nos EUA, citado em documentos do caso Epstein, e amplia crise de Starmer

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Morgan McSweeney assumiu a responsabilidade por aconselhar a nomeação de Peter Mandelson, citado em documentos ligados ao caso Epstein, e a saída agrava dúvidas sobre o governo

O chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Morgan McSweeney, apresentou sua renúncia após admitir que aconselhou a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos Estados Unidos.

McSweeney disse que a indicação foi um erro e que assume total responsabilidade pelo conselho, em meio a revelações sobre ligações de Mandelson com arquivos relacionados a Jeffrey Epstein.

O episódio colocou em xeque o julgamento político do premiê Keir Starmer e elevou questionamentos sobre verificação de antecedentes em nomeações, conforme informação divulgada pelo g1

Por que McSweeney renunciou

Em comunicado, McSweeney afirmou, “A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política“, e acrescentou, “Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho.”

Fontes e parlamentares apontaram que McSweeney, que era amigo e protegido de Mandelson, não teria garantido checagens de antecedentes adequadas na ocasião da indicação, o que alimentou críticas internas e externas ao governo.

Buscas da polícia e investigação sobre Mandelson

Na sexta-feira, dia 6, a polícia do Reino Unido cumpriu mandados de busca em dois endereços ligados a Peter Mandelson, um em Wiltshire e outro em Camden, em Londres, segundo reportagens citadas pelo g1.

As buscas estão relacionadas a uma investigação sobre má conduta em cargo público, após divulgação de documentos que sugerem que Mandelson teria repassado informações sensíveis do governo ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, quando ocupava o cargo de secretário de Negócios.

Mandelson já havia renunciado à Câmara dos Lordes na terça-feira, dia 3, e se desvinculado do Partido Trabalhista antes das ações policiais, medidas que antecederam o envio de um dossiê do governo à polícia.

Repercussão política e riscos para o governo Starmer

A renúncia de McSweeney é vista como a crise mais séria dos 18 meses de governo de Keir Starmer, e levanta dúvidas sobre o critério para nomeações de alto nível e a capacidade do premiê em gerenciar escândalos.

Starmer, que chegou a defender McSweeney publicamente, disse que foi “uma honra” trabalhar com ele, comentário que pode ter contribuído para mais questionamentos públicos sobre o julgamento do premiê.

O governo anunciou que prepara legislação para expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes e retirar seu título de nobreza, além de manter a investigação em curso, medidas que prolongam a atenção da opinião pública sobre o caso.

O que vem a seguir

Com a divulgação de e-mails e outros documentos prometida pelo governo, a expectativa é de novas revelações que podem confirmar ou contestar as alegações contra Mandelson e esclarecer o papel de McSweeney na nomeação.

Enquanto as investigações avançam, a situação política permanece volátil, e a crise pode afetar a estabilidade do governo trabalhista, menos de dois anos após conquistar ampla maioria parlamentar.

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