Chefe de gabinete renuncia após indicar Peter Mandelson, ligado ao caso Epstein, e assume responsabilidade enquanto crise política pressiona o governo Starmer

Crise aumenta após documentos sugerirem que Peter Mandelson teria repassado informações a Jeffrey Epstein, McSweeney diz que a nomeação foi errada e assume total responsabilidade pela escolha

O chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Morgan McSweeney, renunciou após admitir que aconselhou a nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos.

Em comunicado, McSweeney afirmou que a decisão foi equivocada e que assume a responsabilidade pelo conselho que deu ao premiê.

Os desdobramentos ocorrem em meio à publicação de documentos ligados a Jeffrey Epstein, e a situação tem sido descrita como a crise mais grave do governo de Keir Starmer em 18 meses, conforme informação divulgada pelo g1

Por que McSweeney saiu

McSweeney disse, em nota, “A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política”, e completou, “Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho.

O ex-chefe de gabinete era descrito como protegido e amigo de Mandelson, e foi criticado por não garantir verificações de antecedentes consideradas adequadas por alguns parlamentares trabalhistas e opositores.

Investigações e buscas policiais

Na sexta-feira (6), a polícia do Reino Unido cumpriu mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados a Peter Mandelson, segundo informações da BBC citadas nos relatos sobre o caso.

Os mandados foram executados em propriedades na região de Wiltshire, no sul da Inglaterra, e na região de Camden, em Londres, em ações que fazem parte de uma investigação sobre má conduta em cargo público.

Renúncia de Mandelson e ações do governo

Peter Mandelson renunciou na última terça (3) à Câmara dos Lordes, após novas revelações sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein, e antes disso já havia se desvinculado do Partido Trabalhista.

O governo britânico informou que preparava uma legislação para expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes e retirar o título de nobreza, Lord Mandelson, e que enviou um dossiê à polícia com alegações de que ele teria repassado informações sensíveis ao criminoso sexual condenado.

Impacto político e próximos passos

A saída de McSweeney lança dúvidas sobre a estabilidade do governo de Starmer, que conquistou uma ampla maioria parlamentar há menos de dois anos, e intensifica os questionamentos sobre o julgamento político do premiê.

Starmer defendeu McSweeney durante a semana anterior, dizendo que foi “uma honra” trabalhar com ele, e o governo prometeu divulgar e-mails e documentos relacionados à nomeação de Mandelson para demonstrar, segundo autoridades, que Mandelson enganou as autoridades.

O caso deve continuar repercutindo nos próximos dias, com atenção à investigação policial e às medidas parlamentares que podem afetar o futuro de figuras centrais neste episódio.