Chipre assume presidência da União Europeia com foco em segurança, migração e apoio à Ucrânia, enquanto Bulgária entra na zona do euro e enfrenta desafios econômicos

Presidência cipriota prioriza defesa, migração e negociações do orçamento plurianual, e Bulgária substitui o lev pelo euro após 19 anos de adesão à UE

Nicosia iniciou um semestre de maior influência nas decisões da União Europeia, com uma agenda centrada em segurança e defesa, gestão migratória e apoio contínuo à Ucrânia.

A presidência vai comandar as reuniões ministeriais, liderar negociações legislativas com o Parlamento Europeu e implementar medidas previstas no Livro Branco sobre a Defesa Europeia até 2030.

As mudanças coincidem com a entrada da Bulgária na zona do euro, que adota a moeda comum a partir de 1º de janeiro, conforme informação divulgada pelo g1.

Prioridades da presidência e contexto geopolítico

Durante seis meses, o pequeno estado insular terá a responsabilidade de definir agendas e mediar posições entre os Estados-membros, em um momento em que a guerra na Ucrânia completa quase quatro anos.

A presidência cipriota listou como prioridades a segurança e defesa do bloco, a questão migratória e o apoio à Ucrânia, áreas que exigem coordenação reforçada entre países com visões diferentes sobre gastos e compromissos militares.

No campo da defesa, a pauta inclui a implementação do Livro Branco sobre a Defesa Europeia e do Roteiro para a Preparação da Defesa até 2030, instrumentos que visam aumentar a prontidão e a cooperação entre forças nacionais.

O desafio do plano de paz e as negociações internacionais

Outro ponto sensível será a resposta da União Europeia ao plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após encontro com Volodymyr Zelensky em Mar-a-Lago.

Segundo informações divulgadas, Trump “propôs garantias de segurança para a Ucrânia durante 15 anos” e, ainda de acordo com relatos, “o plano de paz de 20 pontos foi acordado em 90%” por Zelensky, dados que complicam a formulação de uma posição comum entre os europeus.

Analistas em Bruxelas esperam que a presidência cipriota tente harmonizar opiniões e oferecer uma resposta europeia que equilibre apoio à Ucrânia com o desejo de evitar escaladas regionais.

Bulgária adota o euro e enfrenta fragilidades internas

Ao mesmo tempo, a Bulgária passa a usar oficialmente o euro, abandonando o lev, moeda em vigor desde a independência do país e em sua versão atual desde 1995.

A adoção do euro ocorre 19 anos após a entrada da Bulgária na União Europeia e vem após longos processos de preparação e controles financeiros, atrasados por crises externas, como a pandemia de Covid-19, e por problemas internos, entre eles a corrupção.

O país é descrito na cobertura como o mais pobre da UE e um dos mais afetados pela corrupção, fatos que recentemente motivaram protestos em Sofia e a renúncia do governo, em um sinal das dificuldades econômicas e políticas que acompanham a mudança de moeda.

Chipre dividido e possibilidades de diálogo com a Turquia

A ilha cipriota continua marcada por uma divisão com quase 50 anos, com a República de Chipre, no sul, reconhecida internacionalmente, e a autoproclamada República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida pela UE.

Especial atenção será dada à possibilidade de usar a presidência para reduzir tensões com Ancara, numa tentativa de abrir caminho para cooperação que inclua apoio turco à entrada de Chipre na Otan.

Nas eleições recentes no norte da ilha, a vitória do líder pró-europeu Tufan Erhürman foi apresentada como uma chance de retomar negociações de reunificação, alimentando expectativas de avanços durante o semestre cipriota na liderança da União Europeia.

Ao assumir estas responsabilidades, Nicosia terá de conciliar interesses de segurança coletiva, negociações orçamentárias, e a busca por uma posição unificada sobre propostas de paz internacionais, enquanto Sofia enfrenta a complexa transição financeira e políticas internas por reformas e combate à corrupção.