Chuvas em SP derrubam qualidade da laranja, aumentam podridões e pressionam preços, greening em Limeira chega a 79,38% e mercado paulista esfria
Chuvas e umidade elevada prejudicam pomares de laranja em São Paulo, parte da produção perde padrão e efeitos somam-se ao avanço do greening, segundo g1
A combinação de chuvas fortes e umidade alta tem derrubado a qualidade da laranja no interior de São Paulo, reduzindo o padrão de parte da safra e esfriando o mercado paulista.
Produtores e indústrias relatam aumento de podridões e fungos, perda de volume para processamento e queda no valor comercial de frutos que ainda chegam às centrais de abastecimento.
Os efeitos climáticos se somam ao avanço de doenças, pressionando preços do fruto e do suco, conforme informação divulgada pelo g1.
Chuvas, umidade e perdas na lavoura
Segundo Cepea, em Piracicaba (SP), a umidade excessiva causa podridões e fungos nos pomares. Parte da produção à indústria se perde ou chega ao mercado com padrão inferior. Produtores apontam que frutos com manchas e apodrecimentos são rejeitados por indústrias ou vendidos por valores menores, o que reduz a rentabilidade das propriedades.
O excesso de água favorece a proliferação de doenças e dificulta a colheita em condições ideais, por isso lotes inteiros podem ter qualidade rebaixada mesmo quando o volume parece satisfatório, afetando a oferta de fruta de boa qualidade para consumo in natura e para sucroindústrias.
Impacto nos preços e no mercado
O prejuízo nos pomares e as altas temperaturas têm impacto nos preços da fruta e do suco vendidos ao consumidor. Com menor oferta de laranja em padrão de mesa e industrial, varejo e indústrias repassam parte do custo, pressionando cestas básicas que incluem suco e frutas cítricas.
Além disso, quando a fruta é destinada à indústria com qualidade inferior, há perda no rendimento do suco e aumento de custos de processamento, resultado que pode elevar o preço final ao consumidor e reduzir margens dos fabricantes.
Greening avança em Limeira e preocupa cadeia
Um levantamento do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido por citricultores e indústrias de suco do estado, revelou que a região de Limeira (SP) é a mais afetada pelo greening no cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais em 2024.
A liderança no ranking segue uma tendência já observada em anos anteriores. Em relação a 2023, a incidência da doença na região passou de 73,87% para 79,38%.
O avanço do greening, somado às condições climáticas adversas, reduz ainda mais a produção potencial e pressiona decisões de manejo, controle fitossanitário e investimentos na lavoura, ao mesmo tempo em que altera a dinâmica de oferta e demanda no mercado local.
O que muda para produtores e consumidores
Produtores enfrentam mais custos com tratamento de doenças, menor rendimento por hectare e necessidade de ajustar a logística de colheita. Para consumidores, há risco de ofertas mais curtas e preços mais altos para suco e para a peça de fruta de boa qualidade.
Especialistas afirmam que medidas de manejo, monitoramento e investimentos em tecnologia podem mitigar os impactos, mas os efeitos imediatos das chuvas e do avanço do greening já estão refletidos em menor qualidade da laranja e em pressões sobre o mercado paulista.