Com as reformas de Milei, governo afirma que a política de ‘déficit zero’ e cortes de subsídios levaram a superávit fiscal de 0,2% do PIB em 2025
A Argentina encerrou 2025 com resultado positivo nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo, em um movimento atribuído às **reformas de Milei** e à política fiscal adotada pelo governo.
O saldo guarda relação direta com um forte ajuste nos gastos públicos e com a redução de subsídios, medidas centrais do pacote econômico que tem como meta o chamado déficit zero.
Os dados oficiais e as declarações do governo foram divulgados nesta sexta-feira, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado fiscal e números oficiais
Segundo o governo, “Em 2025, o superávit primário alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo.”
O resultado representa um leve recuo em relação a 2024, quando o superávit primário foi de 1,8% e o superávit fiscal alcançou 0,3%.
Ajuste de gastos e medidas adotadas
O superávit foi sustentado por cortes e congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas, além da redução de subsídios, conforme a nota oficial.
O governo defende que a disciplina orçamentária permite retomar reduções de impostos, enquanto críticos alertam para impactos sociais e na prestação de serviços essenciais.
Declarações oficiais e promessa de continuidade
O presidente comemorou o resultado, com a frase, “A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado”, comemorou Milei.
O ministro da Economia afirmou, “A ordem nas contas públicas e o crescimento econômico permitirão continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos”, prometeu o ministro da Economia.
Inflação, pobreza e o acordo com o FMI
Em 2025, a inflação fechou em 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Indec, bem abaixo dos 117,8% registrados em 2024, e foi o menor valor desde 2017.
Em dezembro, o IPC acelerou para 2,8% no mês, acima dos 2,5% registrados em novembro, depois de meses com taxas mensais entre 2% e 3% ao longo do ano.
Em relação à pobreza, o governo informou que o percentual caiu de 52,9% no primeiro semestre de 2024 para 31% no primeiro semestre de 2025, com dados do segundo semestre ainda a serem divulgados.
No início do governo, a melhora nos indicadores ajudou a fechar um acordo de US$ 20 bilhões com o FMI, com a primeira parcela de US$ 12 bilhões liberada pouco depois, valores que se somam a dívidas anteriores que já superavam os US$ 40 bilhões.
Perspectivas e críticas
Para o governo, as **reformas de Milei** e o ajuste fiscal abrem caminho para mais investimentos, menos controles cambiais e redução de impostos, condicionadas a manter a inflação em queda.
Analistas e setores sociais, no entanto, apontam riscos de desalento econômico e de aumento das desigualdades se cortes em serviços essenciais se mantiverem sem compensações adequadas.
O desfecho das políticas dependerá da evolução da inflação, do cumprimento das metas acordadas com o FMI e da reação dos mercados e da sociedade às mudanças em curso.