Com reformas de Milei, Argentina registra superávit fiscal em 2025 pelo segundo ano seguido, primário 1,4% do PIB e fiscal 0,2%, ajuste nos gastos públicos

Reformas de Javier Milei e política de “déficit zero” reduziram subsídios e congelaram verbas em áreas-chave, resultando em superávit primário de 1,4% do PIB e fiscal de 0,2%

A Argentina encerrou 2025 com saldo positivo nas contas públicas pelo segundo ano seguido, resultado atribuído à política de déficit zero do presidente Javier Milei.

O governo informou que o ajuste fiscal incluiu cortes de subsídios e congelamento de orçamentos em educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas.

Os números oficiais apontam para um superávit primário de 1,4% do PIB e um superávit fiscal de 0,2% do PIB, conforme informação divulgada pelo g1.

Como foi o ajuste nas contas públicas

Segundo o governo, o resultado fiscal de 2025 foi sustentado por um forte ajuste nos gastos públicos, com redução de subsídios e restrição de despesas correntes.

O superávit representa um leve recuo frente a 2024, quando o país alcançou superávit primário de 1,8% do PIB e superávit fiscal de 0,3% do PIB, de acordo com os dados divulgados.

O presidente comemorou a trajetória, afirmando, “A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado”, mensagem publicada em sua conta no X.

Impacto na economia real, inflação e pobreza

A inflação anual fechou 2025 em 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Indec, o menor índice desde 2017 e muito abaixo dos 117,8% registrados em 2024.

No primeiro semestre de 2024, a pobreza atingiu 52,9% da população, e caiu para 31% no primeiro semestre de 2025, segundo os dados citados pelo governo, os quais ainda terão a leitura do segundo semestre divulgada.

Apesar da melhora fiscal e da desaceleração anual da inflação, a taxa mensal manteve-se entre 2% e 3% ao longo de 2025, com sinais de aceleração a partir de maio, informou o Indec.

Acordo com o FMI e mudanças no câmbio

No início do governo, a melhora nos indicadores viabilizou, em abril de 2025, um acordo de empréstimo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional, com a primeira parcela de US$ 12 bilhões disponibilizada dias depois.

O governo soma esses valores a dívidas anteriores com o FMI que já superavam os US$ 40 bilhões, e qualificou o repasse como um voto de confiança no programa econômico.

Na agenda de mudanças, o Banco Central anunciou redução dos controles cambiais, fim da paridade fixa para o peso e adoção de câmbio flutuante, embora intervenções no mercado tenham voltado diante de deterioração nos mercados.

Perspectivas e riscos

O ministro da Economia declarou, “A ordem nas contas públicas e o crescimento econômico permitirão continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos”, sinalizando que cortes tributários fazem parte da estratégia futura.

Analistas alertam que, apesar dos saldos positivos, a sustentação do resultado depende da manutenção do controle de gastos, da evolução da inflação e da estabilidade cambial.

O governo aposta que a disciplina fiscal combinada com reformas estruturais atrairá investimentos e permitirá avançar na redução de impostos, mas o caminho permanece sujeito a choques externos e à reação dos setores afetados pelos cortes, conforme informação divulgada pelo g1.