Como antecipar os cortes de juros e preparar sua carteira de renda fixa, por que prefixados e IPCA+ podem se valorizar com a queda da Selic em 2026

Antecipe os cortes de juros e aprenda a rebalancear entre prefixados, títulos atrelados à inflação e pós-fixados, com a Selic projetada em 12,25% ao ano, segundo o mercado

O Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes de juros já no primeiro trimestre, criando uma janela para ajustes na carteira de renda fixa.

Investidores que revisarem a combinação entre prefixados, IPCA+ e pós-fixados podem aproveitar ganhos antes e durante a queda da Selic.

As recomendações a seguir reúnem estudos e opiniões de especialistas para orientar escolhas práticas e o rebalanceamento, conforme informação divulgada pelo g1.

Cenário atual e outlook para os juros

Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano. Segundo a Federação Brasileira de Bancos, a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana do Copom ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada dez bancos estimando uma redução apenas em março.

O Boletim Focus traz a expectativa de que a Selic encerre o ano em 12,25% ao ano, ou seja, com uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao atual patamar. Entre os fatores que levam o Banco Central a ser cauteloso estão as incertezas geopolíticas, riscos fiscais e a possível movimentação nos preços do petróleo, que afetam a inflação.

Como ressalta a estrategista da XP, Rachel de Sá, “O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”.

Quais ativos de renda fixa tendem a se beneficiar

Estudo da XP, compartilhado com o g1, aponta que períodos de queda de juros costumam favorecer títulos prefixados e indexados à inflação, ou IPCA+. Esses ativos, segundo o levantamento, costumam superar o desempenho do CDI nos meses que antecedem e no primeiro ano após o início do ciclo de cortes.

O estudo analisou ciclos desde 2005 e mostrou que o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período. Para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês, considerando os índices IMA-B 5 e IRF-M.

Na prática, isso significa que, ao antecipar cortes de juros, investidores podem aumentar a fatia em títulos prefixados e IPCA+ com prazos alinhados ao seu horizonte, sem descartar totalmente o papel do CDI para liquidez e menor volatilidade.

Como preparar a carteira, passo a passo

O planejador financeiro Carlos Castro, da Planejar, recomenda três passos claros: defina um horizonte de tempo e objetivos de curto, médio e longo prazo; com base no perfil de risco, divida a carteira entre renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos; por fim, escolha os produtos que compõem cada classe de ativos.

É essencial alinhar o prazo dos títulos à necessidade de liquidez. Como explica o especialista de renda fixa do Inter, Rafael Winalda, “O erro mais comum é não alinhar o horizonte do investimento à necessidade de liquidez. Investidores que aplicam em títulos longos (como IPCA+ 2035 ou 2045) sem ter a certeza de que podem manter o dinheiro investido até o vencimento podem ser obrigados a vender com prejuízo em momentos de necessidade”.

Ainda sobre avaliação de preços, lembre que “Marcação a mercado é o preço calculado do investimento como se ele fosse vendido naquele dia. Esse valor é atualizado diariamente”. Por isso, se for aplicar em títulos longos, destine apenas recursos que comprovadamente não serão necessários no curto ou médio prazo.

Recomendações práticas para rebalancear

Especialistas sugerem rebalancear o mix de indexadores, combinando prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados. “Isso não significa que o investidor precisa sair do CDI, que é um investimento que também tem o seu papel caso o ciclo de cortes seja menor e traz um pouco menos de volatilidade. O importante é entender que a diversificação de indexadores vai trazer um equilíbrio maior para a carteira”, comenta a estrategista da XP.

Separe a reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores, invista em títulos longos apenas com recursos que não serão necessários no curto e médio prazo, e diversifique vencimentos para evitar concentração excessiva em um único prazo ou estratégia.

Antecipar os cortes de juros requer planejamento, disciplina e revisão periódica, com atenção aos prazos e à necessidade de liquidez, para aproveitar oportunidades sem aumentar riscos desnecessários.