Como as liquidações do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno podem criar rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC, afetando 160 mil clientes e investidores
O Fundo Garantidor de Créditos, o cronograma de pagamentos e os riscos para valores acima do limite, explicados de forma clara para correntistas e investidores
Três liquidações extrajudiciais de bancos do mesmo conglomerado colocaram o Fundo Garantidor de Créditos no centro de um grande desafio financeiro.
O montante estimado a ser desembolsado chega a R$ 51,8 bilhões para clientes e investidores afetados, e a operação envolve prazos, checagem de listas e riscos para valores que excedem o limite de cobertura.
Nas próximas seções, explicamos quem recebe, como pedir a garantia, quais valores estão protegidos e o que acontece com valores acima do teto do fundo.
conforme informação divulgada pelo g1
Quanto o FGC prevê pagar aos credores
Segundo estimativas do próprio Fundo, o total projetado de pagamentos é de R$ 51,8 bilhões. Para o Banco Master, a previsão é de R$ 40,6 bilhões em garantias, segundo o FGC.
No caso do Will Bank, a estimativa é de R$ 6,3 bilhões, valor que pode sofrer alteração após a consolidação final da lista de credores pelo liquidante.
Com a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira, o FGC estima pagamentos de R$ 4,9 bilhões a credores da instituição, que tem estimativa de cerca de 160 mil clientes com direito à garantia.
O que é o FGC e como ele age
Em texto esclarecedor sobre o papel do fundo, o material consultado traz a definição oficial do mecanismo, citando que “O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua para manter a estabilidade do setor, prevenir crises bancárias e proteger depositantes e investidores.Na prática, funciona como um fundo privado que opera de forma semelhante a um seguro.”
Na prática, o FGC funciona como uma garantia automática para depósitos e algumas aplicações, até o limite por CPF ou CNPJ estipulado pelo próprio fundo.
Como será o pagamento das garantias
Após o decreto de liquidação, o Banco Central nomeia um liquidante, que recebe o apoio do FGC para consolidar a lista de credores e os valores devidos.
O liquidante envia ao fundo a base de dados com os beneficiários e, depois da análise, o FGC abre o sistema para que os credores solicitem a garantia, pois o pagamento não é automático.
Pessoas físicas devem solicitar a garantia pelo aplicativo do FGC, enquanto pessoas jurídicas fazem o processo pelo site do fundo, e a assinatura digital do termo de solicitação é exigida para concluir o pedido.
Se os dados estiverem corretos, o FGC efetiva o pagamento em até 48h úteis, direto na conta do titular do crédito, segundo o procedimento divulgado.
Limites, valores excedentes e riscos
O limite de cobertura do FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição, e os valores que excederem esse teto permanecem sujeitos ao processo de liquidação do banco.
Para quantias acima de R$ 250 mil, o credor se torna quirografário na massa falida do banco liquidado, sem garantia de recebimento integral dos valores excedentes.
A liquidação do Banco Pleno foi motivada pelo agravamento da situação econômico-financeira e por descumprimento de normas, conforme comunicado do Banco Central, que afirmou, em nota, “A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.”
As liquidações do Will Bank e do Banco Master ocorreram em 21 de janeiro e 18 de novembro do ano passado, respectivamente, ambas integradas ao mesmo grupo até venda ocorrida no segundo semestre.
O que o correntista deve fazer agora
Quem tem valores no Master, Will Bank ou Pleno deve acompanhar as comunicações do liquidante e do FGC, verificar a elegibilidade no sistema do fundo e solicitar a garantia pelo aplicativo ou site quando o sistema estiver aberto.
É importante conferir se o valor está dentro do limite de R$ 250 mil, atualizar dados bancários para recebimento e não perder o prazo para manifestar interesse, porque quem não solicitar a garantia não recebe o pagamento.
As próximas etapas dependem da consolidação das listas pelo liquidante e da comunicação oficial do FGC, portanto, acompanhar fontes oficiais é a principal medida de proteção neste momento.