Como as tarifas de Trump favoreceram o México, por que o país virou o maior beneficiado em 2025 e qual o teste decisivo do T-MEC em 2026
Análise dos números de 2025, da isenção do T-MEC, das tarifas efetivas e dos riscos na renegociação que pode reforçar ou desmontar a ponte comercial com os EUA
O México registrou em 2025 um aumento nas exportações para os Estados Unidos, em meio à política tarifária anunciada por Donald Trump no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril de 2025.
Beneficiado pela exceção concedida a produtos que cumprem as regras do T-MEC, o país ampliou sua presença na cadeia americana, enquanto várias nações sofreram alta de tarifas.
Os dados e análises a seguir sintetizam esse movimento e os riscos ligados à renegociação do acordo, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o México foi um dos vencedores das tarifas de Trump
Uma razão central para o avanço mexicano foi a isenção dada a produtos que atendem ao T-MEC. Como apontou Erica York, do centro Tax Foundation, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”.
York também afirmou, em relação ao volume, que “Observamos que as transações realizadas no âmbito do T-MEC dispararam em 2025, devido a essa isenção”.
Com isso, importadores americanos passaram a procurar fornecedores que pagassem menos tarifas, favorecendo fábricas instaladas no México, por sua proximidade e capacidade industrial.
Dados que mostram a vantagem relativa do México
Segundo avaliação do Modelo de Orçamento Penn Wharton, os produtos mexicanos pagaram uma tarifa de importação efetiva de 4,6%, em outubro de 2025.
O Canadá teve tarifa de 3,9%, e, em contrapartida, a China enfrentou uma tarifa efetiva de 37,1% no mesmo período. A média para o resto do mundo subiu para 10,91% em outubro, contra 2,2% em janeiro de 2025.
Em termos de comércio, o México registrou crescimento de 5,66% nas exportações para os EUA em 2025, enquanto as exportações canadenses caíram 6,19%, segundo dados citados pelo g1.
Setores que prosperaram e os que ficaram em alerta
Nem todos os setores mexicanos tiveram desempenho forte. O setor automotivo cresceu apenas 0,9% em 2025, resultado inferior ao esperado, mesmo após negociações que limitaram tarifas a componentes automotivos “não fabricados nos Estados Unidos”.
Por outro lado, produtos que se adequaram ao T-MEC ganharam participação à medida que estoques importados de outras regiões se esgotavam, permitindo que fábricas no México ocupassem esse espaço.
Setores como aço e alumínio, sujeitos a tarifas de 25%, registraram queda nas exportações para os Estados Unidos.
O teste decisivo em 2026, a renegociação do T-MEC
O grande desafio a curto prazo é a renegociação do T-MEC, marcada para 2026. A incerteza aumentou após declarações de Trump dizendo que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante“.
Trump declarou ainda, em visita à Ford em Michigan, “Nem mesmo penso no T-MEC. Quero o bem do Canadá e do México. Mas o problema é que não precisamos dos seus produtos”.
Em reação, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”.
O economista Mario Campa alerta que vários cenários são possíveis nas negociações, “podem variar do mais favorável até uma catástrofe para o México”. Campa também observou que “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”.
Se o T-MEC se mantiver, o México pode consolidar ganhos; se o acordo se fragmentar, o país terá de acelerar planos de diversificação, como o “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum em 2025.
O que observar daqui para frente
Nos próximos meses, as negociações, movimentos de empresas e acordos bilaterais, como os recentes contatos do Canadá com a China, serão sinais importantes sobre a durabilidade da vantagem mexicana.
Na prática, o México precisa equilibrar a exploração das oportunidades trazidas pelas tarifas de Trump com estratégias para reduzir riscos caso o T-MEC seja enfraquecido, garantindo assim que o crescimento das exportações não seja apenas um efeito momentâneo.