Casal Gustavo Catunda e Robert Rosselló, do perfil 2depais, relata isolamento imposto pela agência, atrasos recorrentes e falta de prestação de contas, e afirma que o rombo ultrapassa os R$ 500 mil
Dois influenciadores que representam o perfil 2depais afirmam ter descoberto um rombo de R$ 500 mil após confrontar comprovantes de pagamento enviados por marcas com informações fornecidas pela agência que os representava.
Segundo o casal, o contrato dava à agência controle total sobre negociações e repasses, enquanto eles eram orientados a evitar qualquer contato externo, o que impediu a verificação direta dos pagamentos.
Com documentos reunidos, eles acionaram advogado e levaram o caso ao Ministério Público, em uma investigação que está em curso, conforme informação divulgada pelo g1.
Como a descoberta aconteceu
Gustavo Catunda e Robert Rosselló dizem que, no início, os atrasos nos repasses pareciam pontuais e vinham com explicações prontas da agência.
Enquanto a agência comunicava apenas briefings e prazos, a etapa financeira ficava sempre oculta, segundo o casal, e eles não recebiam comprovantes de pagamento.
Ao contactar marcas diretamente, os influenciadores receberam respostas repetidas, com comprovantes mostrando que as campanhas haviam sido pagas meses antes, mas não tinham sido repassadas a eles.
Os influenciadores relatam que descobriram um prejuízo superior a R$ 500 mil após cruzar comprovantes enviados por marcas com valores que a agência dizia não ter recebido, conforme afirmaram ao g1.
Termos contratuais e o papel da agência
O contrato assinado dava à agência exclusividade para fechar campanhas, conversar com marcas, assinar contratos, emitir notas fiscais, receber pagamentos e repassar ao 2depais os valores devidos.
Na versão do casal, o acordo previa que 70% do valor das campanhas vão para os influenciadores, enquanto a agência fica com os 30% restantes, e, ainda assim, os repasses falharam.
Os influenciadores contam que eram orientados a não manter qualquer contato que não passasse pelo conhecimento da agência, com frases que, segundo eles, serviam para justificar o isolamento, como “nunca conte qual é o seu trabalho, quanto você está ganhando, nunca fale com as pessoas, porque isso vai te derrubar”.
O casal ainda relata que a postura da agência era de controle e proteção, citando que ouviam, em conversas, “deixa que eu tomo conta de tudo, eu resolvo tudo”.
Impactos pessoais e financeiros
Com os repasses atrasados, o casal precisou emitir notas fiscais sem receber os recursos correspondentes, o que os levou a dívidas fiscais e ao parcelamento de mais de R$ 40 mil, segundo relato ao g1.
Além do prejuízo financeiro, os influenciadores narram efeitos sobre a saúde e a rotina familiar. Robert disse ter desenvolvido uma doença autoimune ligada ao estresse, e descreveu momentos de insegurança e desconfiança.
O casal recorda um episódio em que, em meio a problemas de saúde da filha, receberam o primeiro comprovante que mostrou o pagamento já quitado meses antes, no qual afirmaram, “Nossa filha estava com meningite (…) ela estava passando mal. A gente levou ela para o hospital. No caminho para o hospital, recebemos o primeiro comprovante de que não existia nenhum pagamento em atraso em relação àquela marca”.
Para eles, a sequência de atrasos e a falta de transparência criaram um ambiente que chegou a ser descrito como um tipo de “terrorismo psicológico” durante a relação com a agência.
Medidas judiciais e recomendações legais
Com a documentação reunida, o casal procurou um advogado, que apresentou o caso ao Ministério Público, apontando a possibilidade de configuração de apropriação indébita majorada, quando alguém recebe dinheiro em nome de outra pessoa e não o repassa.
Em decisão judicial citada pela reportagem, o juiz Caio Hunnicutt Fleury Moraes considerou que não havia provas suficientes para determinada medida, e negou pedido de depósito judicial e bloqueio de valores da empresa.
Por outro lado, o magistrado determinou que uma patrocinadora com contrato de R$ 42 mil com a agência pague a parte dos influenciadores diretamente a eles, conforme consta na matéria do g1.
Especialistas consultados pela reportagem destacam que contratos com cláusulas que garantam transparência financeira, acesso a contratos fechados em nome do criador e prestação de contas são essenciais para reduzir riscos.
A advogada Mayra Mega Itaborahy orienta, entre outros pontos, limitar o poder da agência, exigir autorização por escrito para acordos, e prever prazos, forma de pagamento, multas e rescisão, para evitar retenções indevidas e perdas financeiras, segundo o g1.
O caso também motivou relatos de outros influenciadores que afirmam ter passado por situações semelhantes com a mesma agência, o que levou o casal a alertar para a necessidade de informação e cuidado na hora de fechar contratos de representação.
Até a última atualização da reportagem, a Hello Group não havia respondido aos pedidos de comentário feitos pelo g1.