Como checar no Banco Central se há dívidas indevidas no seu nome, caso Master-BRB: passo a passo no Registrato, sinais de fraude, dados e como contestar
Saiba por que contratos do Master e do Will Bank passaram a aparecer no SCR do Banco Central sob o registro do BRB, como acessar o Registrato e quais medidas tomar
Clientes do Banco Master e do Will Bank têm encontrado, no sistema do Banco Central, dívidas que dizem já ter sido quitadas ou que nunca existiram, registradas em nome do BRB.
Os relatos apontam o Banco de Brasília, BRB, como responsável pelos lançamentos, e há indícios de irregularidades na transferência de carteiras de crédito que podem ter gerado registros indevidos.
Veja abaixo como verificar se você foi afetado, como acessar o Registrato e o que fazer caso apareça uma dívida indevida no seu nome, conforme informação divulgada pelo g1
Por que essas dívidas apareceram?
O BRB diz que, após a liquidação do Will Bank, deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas, e que, pelas regras, o banco originador deve encaminhar os dados e os valores correspondentes ao BRB.
Em nota, o banco afirmou, «Após a liquidação, esse fluxo não foi retomado ainda pelo liquidante, de modo que o BRB ainda não dispõe de informações suficientes para a baixa das operações, Por essa razão, alguns contratos apareceram como ativos ou inadimplentes no Sistema de Informações de Créditos (SCR), mesmo já tendo sido pagos no banco de origem», conforme comunicado do BRB.
Quem pode estar afetado e a dimensão do problema
Segundo apuração da TV Globo, 40 mil pessoas podem estar nessa situação, com contratos do Master e de parte dos empréstimos originados pelo Will Bank transitando entre instituições e caindo no SCR do Banco Central como ativos ou em atraso.
O caso ganhou atenção porque o BRB vinha comprando carteiras do Master desde 2024, e houve tentativa de compra do banco em 2025 que foi vetada pelo Banco Central, além de investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema envolvendo carteiras de crédito de baixa qualidade.
Como checar se existe dívida indevida no seu nome, passo a passo no Registrato
Qualquer pessoa pode consultar o Registrato do Banco Central usando o CPF, e empresas podem usar o CNPJ, para ver empréstimos, contas em bancos, chaves PIX, cheques sem fundos e operações em moeda estrangeira vinculadas ao seu nome.
Para acessar o Registrato é necessário ter uma conta gov.br nos níveis prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada, porque o sistema reúne dados financeiros sensíveis.
Passo a passo, faça o login com a conta gov.br, clique em Empréstimos e Financiamentos (SCR), selecione Solicitar novo relatório e escolha visualizar o relatório resumido, baixar o documento ou recebê-lo por email. O relatório traz todas as informações de dívidas abertas ou vencidas contratadas.
O que fazer se encontrar uma dívida indevida
Especialistas ouvidos recomendam que o consumidor entre em contato com a instituição responsável e solicite, por escrito, o contrato, o valor atualizado, quem está fazendo a cobrança e de qual banco veio a dívida.
Como explica Pedro Ramunno, professor de direito empresarial do Mackenzie, «Se não há contrato, trata-se de uma cobrança indevida. Nesses casos, o consumidor deve formalizar a reclamação junto à instituição, gerar um protocolo e exigir a interrupção da cobrança».
Se a situação não for resolvida, registre reclamação em órgãos como Procon e Consumidor.gov, e avalie recorrer à Justiça. Gustavo Kloh, professor da FGV Direito Rio, observa, «Pode ser que a situação seja regularizada com o tempo, mas isso pode demorar ou nem acontecer. Nesses casos, o consumidor pode ter que recorrer à Justiça, seja por meio do Juizado Especial ou da Justiça comum».
Riscos, prazos e o papel das instituições
Enquanto o liquidante não retomar o envio das informações, o BRB afirma que segue atuando para normalizar os dados e que está preparado para corrigir imediatamente as informações assim que receber os registros do administrador do banco em liquidação.
Consumidores devem acompanhar o SCR pelo Registrato regularmente, guardar protocolos de contato com bancos e autoridades, e, se notar impacto no crédito, considerar medidas imediatas, inclusive a ação judicial, para evitar danos prolongados ao nome.