quinta-feira, junho 4, 2026

Como o acordo EUA e Taiwan para reduzir tarifas e impulsionar compras de produtos americanos pode remodelar cadeias de suprimentos, semicondutores e agroindústria

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Acordo define tarifa americana de 15% sobre produtos de Taiwan, obriga aumento de compras dos EUA entre 2025 e 2029 e prevê cortes em tarifas agrícolas, energia e tecnologia

O novo pacto comercial entre Washington e Taipei busca reduzir barreiras e ampliar compras de bens americanos, com impacto direto em semicondutores, energia e alimentos.

Além da mudança nas tarifas, o texto inclui compromissos de compras bilaterais e medidas para facilitar investimentos em setores de alta tecnologia nos Estados Unidos.

As informações foram divulgadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA e pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.

O que muda nas tarifas e no fluxo de comércio

O acordo estabelece uma tarifa dos Estados Unidos de 15% sobre produtos importados de Taiwan, contra os 20% inicialmente impostas na gestão anterior, e iguala Taiwan a concorrentes como Coreia do Sul e Japão em tarifas de exportação.

No sentido inverso, Taiwan se compromete a eliminar ou reduzir tarifas sobre praticamente todos os bens americanos, incluindo a retirada imediata de tarifas taiwanesas de até 26% sobre muitas importações agrícolas dos EUA.

Algumas tarifas específicas, porém, cairão gradualmente, por exemplo, a taxa atual de 40% sobre barriga de porco e de 32% sobre presunto serão reduzidas para 10%, conforme a tabela tarifária anexada ao acordo.

Compromissos de compra e setores afetados

Entre 2025 e 2029, Taiwan se compromete a aumentar significativamente as aquisições de produtos americanos, com metas detalhadas no texto, incluindo US$ 44,4 bilhões em gás natural liquefeito e petróleo bruto, US$ 15,2 bilhões em aeronaves civis e motores, e US$ 25,2 bilhões em equipamentos e geradores para redes elétricas.

O acordo também menciona compras de equipamentos marítimos e para siderurgia, e inclui medidas para remover barreiras não tarifárias sobre veículos automotores, aceitar padrões de segurança dos EUA para automóveis, e alinhar regras para dispositivos médicos e produtos farmacêuticos.

Investimentos e cadeia de semicondutores

O pacto complementa um acordo-quadro firmado em janeiro, que já previa um compromisso de Taiwan e suas empresas em investir US$ 250 bilhões para estimular produção de semicondutores, energia e inteligência artificial nos EUA.

Nesse total, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, TSMC, teria comprometido US$ 100 bilhões, e o governo taiwanês garantiria outros US$ 250 bilhões em investimentos, segundo informações oficiais mencionadas no documento.

A redação final do novo texto não traz mais detalhes sobre a cronologia desses aportes, mas prevê que a representação de Taiwan nos EUA trabalhará com autoridades americanas para facilitar novos investimentos, tanto greenfield quanto brownfield, em manufatura de alta tecnologia, incluindo IA e semicondutores.

Impactos econômicos, citações e riscos

Autoridades americanas defendem que o acordo EUA Taiwan ampliará oportunidades para agricultores, pecuaristas, pescadores e fabricantes dos EUA, além de aumentar a resiliência das cadeias de suprimentos em setores de alta tecnologia, disse o Representante de Comércio, Jamieson Greer, em comunicado.

O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, afirmou em sua página no Facebook que, “Este é um momento decisivo para a economia e as indústrias de Taiwan aproveitarem os ventos da mudança e passarem por uma grande transformação“, destacando que o pacto otimiza a estrutura econômica bilateral e fortalece uma parceria estratégica de alta tecnologia.

Do ponto de vista comercial, o aumento das importações de chips de alto desempenho elevou o déficit dos EUA com Taiwan, que nos primeiros 11 meses de 2025 saltou para US$ 126,9 bilhões, ante US$ 73,7 bilhões em todo o ano de 2024, segundo dados do Departamento do Censo dos EUA citados no documento.

Analistas apontam que, embora o acordo EUA Taiwan possa reduzir barreiras e ampliar investimentos, ele também concentra riscos geoeconômicos e depende de implementação regulatória afinada, cronogramas de investimento claros, e aceitação de produtores locais afetados por concorrência aumentada.

Em conclusão, o texto detalhado do acordo amplia compromissos comerciais e de investimento já anunciados, e agora ficará sob acompanhamento para ver como serão executadas as metas de compras e os planos de investimento em semicondutores, energia e manufatura de alta tecnologia.

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