Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros, com redução de tarifas em vinhos, carros, medicamentos e impulso às exportações
O acordo UE-Mercosul prevê eliminação gradual de tarifas, maior oferta de produtos europeus no Brasil e potencial de US$ 7 bilhões a mais nas exportações brasileiras
O entendimento firmado entre União Europeia e Mercosul deve mexer diretamente no consumo cotidiano dos brasileiros, com impacto em preços e variedade de produtos importados.
Produtos como vinhos, azeites, queijos, carros e medicamentos tendem a ficar mais presentes e, em alguns casos, mais baratos, embora a redução de preços deva ser gradual.
As mudanças também alcançam a indústria e o agronegócio, que podem ganhar insumos mais baratos e acesso ampliado ao mercado europeu, conforme informação divulgada pelo g1.
O que muda no preço dos produtos que os brasileiros compram
Um dos efeitos mais visíveis do acordo UE-Mercosul será a maior presença de produtos europeus no mercado brasileiro, o que tende a pressionar os preços para baixo.
No caso dos vinhos, a Europa concentra grandes produtores, como Itália, França e Espanha, e com a redução gradual das tarifas, o consumidor brasileiro terá acesso a vinhos com preços mais competitivos.
Produtos premium, como chocolates e itens de supermercado, podem chegar ao país pela primeira vez em escala maior, e bens como carros, que hoje enfrentam taxação de 35%, terão essa alíquota zerada em até 15 anos, o que deve contribuir para o barateamento, ainda que de forma lenta.
Impacto sobre medicamentos, máquinas e insumos
Medicamentos e produtos farmacêuticos, que são os principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, também devem sentir os efeitos do acordo.
Além disso, o acesso a tecnologias europeias mais baratas deve reduzir custos industriais e estimular investimentos, beneficiando também o campo, com máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas mais acessíveis.
Oportunidades para exportadores brasileiros
O tratado abre portas para ampliar vendas brasileiras à Europa. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais.
Setores como calçados e frutas podem ganhar espaço, pois calçados hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE terão essas taxas zeradas em até quatro anos, e em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
Em 2019, as exportações do Brasil para o bloco alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões), enquanto o bloco europeu exportou para o Brasil US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões).
Prazo, adaptações e quem mais ganha
O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos, e estabelece regras para bens industriais, agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Especialistas e institutos brasileiros avaliam que haverá ganho econômico relevante, e o Ipea projeta que Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%.
Em linhas gerais, consumidores devem ver maior variedade e quedas de preço graduais em itens importados, indústrias e o agronegócio podem reduzir custos com insumos, e exportadores terão novas oportunidades na UE, o que exige adaptação, planejamento e competição maior no mercado interno.