Como o acordo UE-Mercosul deve impactar o bolso dos brasileiros, afetar preços de carnes, vinhos, medicamentos e estimular exportações e investimentos
Acordo UE-Mercosul pode zerar tarifas em anos, ampliar entrada de produtos europeus como vinhos e azeites, reduzir custos de insumos e abrir mercado para calçados, frutas e máquinas
O acordo entre a União Europeia e o Mercosul deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos, com efeitos que chegam ao consumo diário e à produção nacional.
Para o consumidor, a maior presença de produtos europeus no mercado brasileiro tende a provocar queda gradual de preços em itens como vinhos, azeites e queijos, e a chegada de marcas premium.
Para empresas e agricultores, o tratado promete acesso a insumos e tecnologias mais baratas, e maior espaço para exportação de produtos como calçados e frutas, conforme informação divulgada pelo g1
O que muda no preço dos produtos que você compra
O texto do acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos, o que deve aumentar a oferta de produtos europeus no Brasil e, com o tempo, pressionar preços para baixo.
No caso dos vinhos, a Europa concentra grandes produtores, como Itália, França e Espanha, e com a redução gradual das taxas o consumidor brasileiro deverá ter mais acesso a vinhos de qualidade por preços mais competitivos, além de maior variedade de azeites, queijos e chocolates premium.
Produtos complexos, como automóveis, também devem ficar mais baratos no prazo longo, embora a queda seja gradual por conta da dependência de cadeias globais de componentes, incluindo insumos vindos de outros países.
Medicamentos, etanol, carnes e máquinas, onde o impacto será maior
Medicamentos e produtos farmacêuticos, inclusive de uso veterinário, são um dos principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, e devem sentir os efeitos do acordo na redução de custos de aquisição.
Setores como o do etanol e da carne também podem experimentar efeitos sobre preços e competição, por conta do aumento da concorrência e da substituição de parte da produção por importações mais baratas.
Para o agronegócio, a entrada de máquinas, equipamentos e fertilizantes europeus com tarifas reduzidas pode diminuir custos de produção e estimular modernização no campo, enquanto para a indústria a chegada de insumos menos onerosos pode favorecer investimentos em tecnologia.
O que o acordo abre para exportadores brasileiros
O tratado cria oportunidades para ampliar vendas brasileiras à Europa em setores como calçados, frutas e outros produtos agrícolas, ao reduzir tarifas sobre exportações do Mercosul.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais.
Exemplos práticos incluem calçados, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, que podem ter essas taxas zeradas em até quatro anos, e produtos como a uva, cuja taxação de 14% seria eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
Prazos, balanço comercial e cenário macro
Algumas tarifas serão eliminadas imediatamente, outras em cronogramas que podem chegar a anos, por exemplo de até 15 anos para certos produtos automotivos, cujo imposto atual é de 35% para importados da Europa.
No ano anterior, as exportações do Brasil para o bloco europeu alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões), enquanto o bloco europeu exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil, mostrando uma balança ainda favorável à UE.
Estudos do Ipea indicam que o Brasil pode ser um dos principais beneficiados, com aumento projetado do PIB até 2040, e o acordo tende a ampliar comércio, atrair investimentos e exigir adaptações do agronegócio e da indústria para competir e aproveitar oportunidades.
Em resumo, o acordo UE-Mercosul deve, ao mesmo tempo, baratear alguns produtos importados, forçar modernização interna e abrir mercados, gerando ganhos e desafios para consumidores, empresas e produtores brasileiros.