Como o acordo UE-Mercosul deve impactar o bolso dos brasileiros, reduzindo tarifas e mudando preços de carnes, vinhos, medicamentos, carros e máquinas
O acordo UE-Mercosul pode reduzir tarifas sobre vinhos, azeites, queijos, carros e medicamentos, influenciar preços e investimentos, e exigir adaptações na indústria e no agronegócio brasileiro
A assinatura do tratado entre União Europeia e Mercosul promete alterar o fluxo de bens entre os blocos e chegar ao cotidiano do consumidor brasileiro.
Produtos tradicionais da Europa, como vinhos, azeites e queijos, devem ganhar espaço no mercado nacional com preços mais competitivos, enquanto bens industriais e insumos podem ficar mais baratos ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, exportadores brasileiros terão novas janelas na UE, mas setores como indústria e agro terão de se adaptar a regras e prazos, pois a mudança será gradual e setorial.
conforme informação divulgada pelo g1
O que o consumidor pode ver na prateleira e no posto
Com o acordo UE-Mercosul, a expectativa é de redução ou eliminação gradual de tarifas de importação que hoje incidem sobre grande parte do comércio entre os blocos, incluindo itens de supermercado.
Isso tende a baratear vinhos, azeites, queijos e outros lácteos importados da Europa, porque a região concentra grandes produtores, como Itália, França e Espanha, onde vinhos de qualidade são encontrados a preços baixos.
Veículos importados da Europa, hoje sujeitos a taxação de 35%, terão essa alíquota zerada em até 15 anos, o que pode reduzir o preço final, embora a queda deva ser gradual, devido à complexidade das cadeias globais de componentes.
Medicamentos e produtos farmacêuticos, que são os principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, também devem sentir o impacto das mudanças tarifárias.
Impacto para indústria e agronegócio
Além do consumo, o acordo UE-Mercosul facilita acesso a tecnologias e insumos europeus mais baratos, o que pode reduzir custos para empresas brasileiras e estimular modernização, inclusive no campo.
Máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas podem ficar mais acessíveis, contribuindo para ganhos de produtividade no agronegócio.
Ao mesmo tempo, a indústria nacional terá de ajustar processos e competir com produtos europeus, o que pode exigir investimentos e adaptação a novos padrões regulatórios previstos no tratado.
Oportunidades nas exportações e prazos para a redução de tarifas
O tratado abre portas para mais produtos brasileiros na Europa e promete ampliar as vendas de calçados, frutas e outros itens agrícolas.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Apex, o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais.
Algumas tarifas serão zeradas rapidamente, por exemplo, a taxação sobre uva, atualmente em 14%, será eliminada assim que o acordo entrar em vigor, enquanto calçados terão alíquotas de 3% a 7% zeradas em até 4 anos.
No ano passado, as exportações do Brasil para o bloco europeu alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões), enquanto a UE exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil, demonstrando um comércio já robusto entre as partes.
Projeções econômicas e desafios regulatórios
O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores, sendo 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul, o equivalente a cerca de 25% do PIB global.
Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo, e que até 2040 a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto nacional em 0,46%.
Apesar das possibilidades de ganhos, a redução de preços será desigual e gradual, especialmente em setores complexos como o automotivo, e haverá necessidade de adaptação a regras comuns sobre bens industriais, agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
O avanço dependerá da implementação do acordo, dos prazos negociados para eliminação de tarifas e da capacidade de empresas brasileiras de aproveitar as novas condições comerciais.