quinta-feira, junho 4, 2026

Como o acordo UE-Mercosul vai impactar o bolso dos brasileiros, reduzindo preços de vinhos, carros e medicamentos, e mexendo no agronegócio e na indústria

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O acordo UE-Mercosul reduz tarifas e aumenta a oferta de produtos europeus no Brasil, potencializando queda gradual de preços de vinhos, carros, medicamentos e insumos, e exigindo ajustes produtivos

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia entra na reta final depois de mais de 25 anos de negociação, e deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos, com efeitos no consumo diário e em setores como indústria e agronegócio.

Uma das mudanças mais visíveis para o consumidor será a maior presença de produtos europeus no mercado brasileiro, o que tende a pressionar preços para baixo ao longo do tempo, especialmente em itens como vinhos, queijos, azeite e chocolates.

Estimativas apontam que o Brasil pode ser o principal beneficiado, e que a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto em 0,46% até 2040, entre outros efeitos sobre comércio e investimento, conforme informação divulgada pelo g1.

O que deve ficar mais barato para quem compra no supermercado e na loja

Com a eliminação gradual de tarifas, itens tradicionais da União Europeia devem ganhar espaço e reduzir preço ao longo do tempo. Entre os citados estão vinhos, queijos e lácteos, além de azeite, chocolate e bebidas destiladas, que podem registrar queda de preços nos próximos anos.

Carros importados da Europa, que hoje enfrentam taxação de 35%, terão essa tarifa zerada em até 15 anos, o que deve contribuir para o barateamento, embora em produtos complexos como automóveis o processo possa levar alguns anos por causa de cadeias globais de componentes.

Na área de saúde, medicamentos e produtos farmacêuticos, que já representam mais de 8% das importações brasileiras da UE, também podem ficar relativamente mais acessíveis com a redução de tarifas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Impacto nos custos de produção e na modernização

O acordo não afeta apenas bens finais, ele alcança insumos e tecnologias. A eliminação de tarifas tende a baratear máquinas, equipamentos, implementos e sistemas de agricultura de precisão importados da Europa, o que pode reduzir custos no campo e incentivar investimentos em modernização.

O acesso a tecnologias europeias mais baratas pode beneficiar a indústria, ao ampliar a importação de bens manufaturados e permitir atualizações em linhas de produção, com potencial para gerar empregos ao exportar produtos com maior valor agregado.

Quem ganha e quem pode sofrer com as mudanças

Para consumidores, a expectativa é majoritariamente positiva. A professora Regiane Bressan, da Unifesp, afirma, “A integração em um acordo como esse tende a favorecer sobretudo os consumidores finais, que passam a ter acesso a produtos mais baratos. Isso ocorre dos dois lados”.

Especialistas alertam, porém, que alguns segmentos do agronegócio podem ver pressão sobre oferta interna, com produtores maiores se beneficiando mais rapidamente, e pequenos e médios aproveitando ganhos por meio de tradings e cadeias de exportação.

Rodrigo Provazzi, da Provazzi Consultoria, destaca que, “Do ponto de vista do mercado interno, é importante destacar que já somos grandes compradores, principalmente de produtos com maior valor agregado da UE. A expectativa é de redução de preços no médio e no longo prazo”, e que “Os efeitos macroeconômicos sobre a inflação são pequenos e não devem ser relevantes no curto prazo”.

Prazos práticos e números relevantes

O acordo abrange um mercado de cerca de 720 milhões de consumidores, sendo aproximadamente 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul, o equivalente a cerca de 25% do PIB global. Dados do comércio mostram que, no ano passado, o Brasil exportou US$ 49,8 bilhões para a UE, enquanto o bloco europeu exportou US$ 50,3 bilhões para o Brasil.

Algumas tarifas terão remoção imediata, como no caso da uva, cuja taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor. Outros produtos, como calçados, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos.

Em resumo, o acordo UE-Mercosul tende a beneficiar consumidores com mais variedade e preços menores em uma gama de produtos, ao mesmo tempo em que impõe a necessidade de adaptação rápida do agronegócio e da indústria para aproveitar oportunidades e mitigar riscos.

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