Como o ataque dos EUA ao Irã pode fortalecer o dólar, elevar o preço do petróleo até US$ 80 e abalar bolsas, entenda riscos do Estreito de Ormuz
Especialistas avaliam que a tensão entre EUA e Irã tende a reforçar o dólar e pressionar o petróleo, com possível impacto em bolsas e inflação global
EUA e Israel bombardearam Teerã e outras cidades iranianas nesta segunda (28), e o Irã retaliou atacando bases americanas no Oriente Médio e lançando mísseis contra Israel, conforme informação divulgada pelo g1.
Em cenários como esse, investidores costumam buscar ativos de menor risco, o que ajuda a explicar movimentos na cotação do dólar e nas bolsas.
O mercado também vê risco no tráfego comercial, porque pelo Estreito de Ormuz passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, e isso pode afetar preços e oferta, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o dólar tende a se fortalecer
Em momentos de conflito, há um movimento clássico de procura por segurança, o chamado flight to quality, que leva investidores a migrar de ativos arriscados para a moeda americana.
Como explica William Alves, estrategista-chefe da Avenue, “É o que chamamos de ‘flight to quality’ (voo para a qualidade), movimento que tradicionalmente ocorre em momentos de guerra”, expressão citada pelo g1.
Além disso, a liquidez e a grande negociação do dólar tornam a moeda uma opção prática para quem quer reduzir exposição a risco em curto prazo.
Como o conflito pode pressionar o preço do petróleo
O Irã é um dos maiores produtores do mundo e membro da Opep, e qualquer ameaça às estruturas de produção ou ao tráfego no Estreito de Ormuz tende a elevar o risco percebido pelo mercado.
O analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, afirma que “uma interrupção na passagem de navios cargueiros pela região pode levar o barril de petróleo para a faixa de US$ 80. Hoje, está em torno de US$ 70”, dado citado pelo g1.
Especialistas também apontam que danos a instalações iranianas ou bloqueios temporários podem reduzir oferta e pressionar preços, ao mesmo tempo em que a atual oferta global exerce um efeito limitador no curto prazo.
Efeito sobre bolsas, inflação e taxas de juros
Com maior aversão ao risco, investidores tendem a retirar recursos de ações e ativos mais voláteis, o que pode provocar quedas nas bolsas globais e maior volatilidade, segundo análise divulgada pelo g1.
O aumento dos preços do petróleo pode, por sua vez, pressionar a inflação global e levar bancos centrais a revisar expectativas de juros, dependendo da intensidade e da duração do conflito.
William Alves alerta para a sensibilidade de ativos de risco a choques como esse, e diz que será preciso observar se haverá ataques a infraestrutura de energia que ampliem o impacto.
Cenário provável segundo especialistas
Os analistas consultados pelo g1 não esperam um conflito prolongado e de grande escala entre as potências, o que tende a limitar choques duradouros nos preços do petróleo.
Como pondera Malek Zein, analista da Suno Research, “Há, naturalmente, a questão do aumento da demanda. Mas, por outro lado, o Irã já é um país fortemente sancionado, e um eventual conflito não deve gerar o mesmo impacto que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, por exemplo”, citação do g1.
Em resumo, no curto prazo o cenário favorece um fortalecimento do dólar, possível alta do petróleo dependendo de danos ou bloqueios e quedas nas bolsas pela correção de risco, mas a magnitude final dependerá de como o conflito evoluir e de medidas para proteger o tráfego no Estreito de Ormuz.