quinta-feira, junho 4, 2026

Como o colapso do Banco Master expôs os limites do FGC, por que o fundo terá de desembolsar mais de R$ 50 bilhões e o que muda para investidores e bancos

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O colapso do Master revelou fragilidades na promessa de proteção do FGC e trouxe custos e mudanças que atingem investidores e o sistema financeiro

Milhares de investidores descobriram na prática que a garantia do Fundo Garantidor de Créditos não elimina riscos, e que recuperar o dinheiro pode levar meses.

O episódio também obrigará bancos a destinar mais recursos para recompor o fundo, com impactos potenciais sobre tarifas, juros e oferta de crédito.

Todas essas informações constam em reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1.

Como funciona a garantia e onde ela mostrou limites

O FGC foi criado em 1995 e funciona como um seguro, devolvendo recursos a clientes quando uma instituição financeira entra em liquidação. O fundo garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada grupo financeiro, e há um limite total de R$ 1 milhão a cada quatro anos, somando o valor aplicado e os rendimentos acumulados até a data da liquidação ou falência.

No entanto, a liquidação do Banco Master, do Will Bank e do Banco Pleno expôs que a existência dessa garantia foi usada por alguns agentes do mercado como argumento comercial para atrair investidores menos experientes.

Como criticou Ione Amorim, do Instituto de Defesa do Consumidor, “O FGC foi apresentado como garantia absoluta para atrair investidores menos experientes. Todo investimento envolve risco, mesmo com a proteção do fundo, e isso, pelo visto, nem sempre foi explicado de forma clara pelas corretoras”.

O tamanho do impacto financeiro e os números essenciais

O colapso do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno levará o FGC a desembolsar mais de R$ 50 bilhões, e, somando as três instituições, “o FGC deverá pagar cerca de R$ 51 bilhões” para ressarcir clientes afetados.

O fundo informou que já desembolsou R$ 37,2 bilhões. Ao todo, 653 mil credores do Master receberam os valores, o que representa 84% dos beneficiários. Segundo o FGC, os casos pendentes envolvem situações que exigem documentos adicionais, como menores de idade e inventários.

Antes do caso Master, “o fundo tinha mais de R$ 140 bilhões em caixa” para cobrir emergências, o que significa que será preciso recompor quase um terço desses recursos.

Consequências para investidores e críticas sobre práticas de venda

Investidores relatam diferentes experiências. Alguns, como Marina, conseguiram reaver o montante rapidamente por meio do FGC, e contaram que o processo “foi rápido e levou menos de 24 horas”. Outros esperaram meses, e em casos de instituições relacionadas ao grupo do Master, clientes de Will e Pleno ainda não chegaram a receber.

Para Alexandre Gonçalves, que aplicou em CDBs do Master, o que o convenceu foi a combinação de segurança e promessa de alta rentabilidade. O banco chegou a oferecer até 140% do CDI, taxa notavelmente superior à média do mercado, e que indicava risco maior.

O advogado Adilson Bolico apontou que essa dinâmica pode ter gerado uma “quebra do dever fiduciário”, já que corretoras e gerentes têm obrigação de agir no melhor interesse do cliente. Roberto Panucci, advogado especialista em direito bancário, acrescentou que recuperar o valor não é sinônimo de vantagem, porque “um título que, no papel, prometia rendimento acima do CDI pode, após meses de espera, render muito pouco ou até gerar perda real, quando se considera a inflação e o tempo em que o dinheiro ficou parado”.

Como o FGC será recomposto e o que muda para bancos e consumidores

Para recompor o caixa, o FGC avalia medidas como antecipar contribuições dos bancos que seriam pagas nos próximos anos, criar uma cobrança extra sem prazo definido e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório para reforçar os recursos do fundo.

Hoje, os bancos associados pagam uma taxa mensal de 0,01% sobre o saldo dos depósitos cobertos pelo fundo. Em agosto, o Conselho Monetário Nacional criou uma cobrança adicional para instituições mais expostas a riscos, elevando a taxa para 0,02% e determinando que mantenham uma parcela maior de recursos aplicada em títulos públicos.

Especialistas defendem que a contribuição deveria refletir o risco da instituição, para que bancos mais arriscados paguem mais, e alertam que parte do custo de recomposição tende a ser repassada aos consumidores, por meio de tarifas mais altas, juros maiores nos empréstimos, ou menor rendimento nas aplicações.

Além disso, a necessidade de destinar recursos ao fundo pode levar bancos e fintechs a apertar os critérios de crédito, reduzindo oferta ou encarecendo financiamentos para pessoas físicas e empresas.

Como resume Ione Amorim, “Enquanto os controladores não sentem o impacto da quebra, os prejuízos recaem sobre os mais vulneráveis”, e essa dinâmica põe em xeque a ideia de que a garantia do FGC é uma proteção sem custos ou limites.

O episódio do Banco Master serviu como alerta para investidores, reguladores e intermediários, sobre a necessidade de transparência nas vendas de produtos de renda fixa e sobre a urgência de revisar mecanismos de financiamento do FGC para reduzir incentivos distorcidos ao risco.

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