quinta-feira, junho 4, 2026

Como proposta de imposto sobre bilionários na Califórnia gerou revolta no Vale do Silício, ameaças de êxodo e racha no Partido Democrata

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Proposta de imposto sobre bilionários de 5% sobre fortunas a partir de US$ 1 bilhão, com cobrança retroativa e arrecadação prevista em US$ 100 bilhões em cinco anos, acirra disputa

O anúncio de uma proposta que prevê um imposto sobre bilionários na Califórnia desencadeou uma reação intensa no Vale do Silício e entre líderes políticos do Estado.

A medida, apresentada pelo sindicato SEIU-UHW, prevê alíquota progressiva que chega a 5% para fortunas a partir de US$ 1,1 bilhão, e seria cobrada de forma única, com pagamento parcelado em até cinco anos.

As informações acima foram publicadas pelo g1, e a reportagem também detalha doações de opositores, movimentação de executivos e estimativas de arrecadação, conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes da proposta

A proposta do imposto sobre bilionários foi elaborada pelo Service Employees International Union-United Healthcare Workers West, o SEIU-UHW, que representa mais de 120 mil profissionais de saúde.

Residentess do Estado com fortunas a partir de US$ 1 bilhão seriam afetados, e a alíquota cresce de forma progressiva e linear, partindo de 0% até 5% para quem tem US$ 1,1 bilhão ou mais.

Na prática, quase todos os listados seriam taxados em 5%, porque, segundo a Revista Forbes citada pelos autores, entre os 204 bilionários da Califórnia apenas um tem fortuna abaixo de US$ 1,1 bilhão.

O imposto seria pago apenas uma vez, com possibilidade de parcelamento em cinco anos, em parcelas de 1%, acrescidas de “uma pequena taxa”. A entrada em vigor depende de aprovação em consulta popular, que só acontecerá se 875 mil eleitores assinarem para levar a proposta às cédulas.

Reação dos bilionários e divisão política

A possibilidade de um imposto sobre bilionários provocou pedidos públicos de mudança de domicílio, abertura de escritórios em outros Estados e doações para campanhas contra a medida.

Entre as reações, David Sacks escreveu nas redes sociais “Mensagem recebida”, e depois informou ter aberto escritório em Austin, no Texas, em dezembro de 2025, segundo comunicado da Craft Ventures, citado pelo g1.

Peter Thiel anunciou a abertura de escritório em Miami e já doou US$ 3 milhões para uma campanha contra a medida, conforme reportagem do g1. Houveram também relatos de transferências de ativos por Sergey Brin e Larry Page antes do Natal.

O debate expôs divisões no Partido Democrata, com apoio público de nomes como o senador Bernie Sanders e o deputado Ro Khanna a favor do imposto, enquanto o governador Gavin Newsom prometeu combater a inclusão da proposta nas urnas, alegando risco à inovação e perda de investimentos.

Argumentos a favor e contra, e estimativas fiscais

Os autores afirmam que o imposto sobre bilionários é necessário para mitigar cortes federais na saúde, citando risco de fechamento de hospitais e demissões, e defendem “utilizar fundos dos que mais ganharam com as recentes mudanças federais para proteger aqueles que foram mais prejudicados”.

Os idealizadores estimam arrecadar cerca de US$ 100 bilhões ao longo de cinco anos, ou aproximadamente US$ 20 bilhões por ano de 2027 a 2031, e planejam destinar 90% da receita à saúde, com o restante para assistência alimentar e educação.

Críticos afirmam que o imposto tributaria ativos e participações, não só renda, e poderia forçar vendas de ações, prejudicando empresas e o ecossistema de startups. O governador Newsom disse que a mera introdução da proposta já prejudicou o Estado ao estimular mudanças de domicílio.

Em contrapartida, os autores citam evidências históricas de que ameaças de êxodo costumam ser exageradas e lembram o imposto sobre milionários criado em 2012 na Califórnia, citando que o Estado hoje tem uma parcela maior de pessoas com renda acima de US$ 1 milhão do que antes da medida.

Os proponentes também apontam desigualdade na tributação, afirmando que “incluindo todos os impostos em todos os níveis de governo, bilionários pagaram 24% de sua verdadeira renda econômica em impostos nos anos de 2018 a 2020, enquanto a média nacional dos EUA foi de 30%”.

Especialistas notam que mudar domicílio fiscal é um processo complexo, que leva em conta fatores como laços familiares, escolas dos filhos, médicos e vínculos comerciais, e não se resolve em poucas semanas, conforme análise de professores consultados pelo g1.

O que vem a seguir

Para que a proposta vá à consulta popular, o SEIU-UHW precisa coletar 875 mil assinaturas, e os opositores já anunciam campanhas intensas para impedir a inclusão na cédula.

Mesmo se aprovada pelos eleitores, analistas esperam contestações judiciais, e o impacto econômico dependerá do comportamento real de bilionários quanto a mudança de residência e da forma de cálculo do patrimônio em 31 de dezembro de 2026.

O tema deve permanecer no centro do debate público na Califórnia até as eleições de novembro, influenciando discussões sobre tributação, desigualdade, saúde pública e estratégia política nacional.

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