Entenda por que o mercado espera cortes de juros, a projeção para a Selic em 2026, e quais ativos de renda fixa, como prefixados e atrelados à inflação, merecem atenção
O cenário atual abre uma janela para investidores revisarem carteiras de renda fixa, buscando posições que possam ganhar valor quando os juros começarem a recuar.
Especialistas recomendam combinar títulos prefixados, papéis indexados à inflação e investimentos pós-fixados, de modo a equilibrar rendimento e risco durante a transição do ciclo de juros.
As informações usadas nesta matéria foram compiladas a partir das análises divulgadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o Banco Central tem adotado postura cautelosa
Atentos ao cenário externo e às incertezas fiscais internas, os membros do Comitê de Política Monetária avaliam cuidadosamente o momento de iniciar cortes, para não comprometer a ancoragem da inflação.
Conforme informação divulgada pelo g1, atualmente a taxa básica de juros está em 15% ao ano, e, segundo a Federação Brasileira de Bancos, “a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada 10 bancos estimando uma redução apenas em março”.
O cálculo do governo e de analistas leva em conta fatores como tensões geopolíticas, variação do petróleo e dúvidas sobre a condução das contas públicas, elementos que podem atrasar ou moderar o ritmo de cortes.
Quais ativos de renda fixa tendem a se beneficiar
De acordo com estudo da XP citado pelo g1, períodos de queda de juros costumam favorecer especialmente títulos prefixados e aqueles atrelados à inflação (IPCA+), inclusive nos meses que antecedem o início do ciclo.
O estudo analisou ciclos desde 2005 e apontou que o retorno médio do índice de prefixados, IRF-M foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período, conforme informação divulgada pelo g1.
O relatório ainda estima que, para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, “os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês”. A análise considerou índices como o IMA-B 5 e o IRF-M.
Como montar ou rebalancear a carteira antes dos cortes
Especialistas sugerem que o investidor aproveite o momento para “rebalancear o mix de indexadores” da carteira, combinando ativos prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados, sem abandonar totalmente aplicações referenciadas ao CDI.
O planejador financeiro Carlos Castro recomenda definir horizonte de tempo e separar objetivos de curto, médio e longo prazo, para então alocar entre renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos, e escolher produtos para cada classe.
Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Inter, alerta para a importância do horizonte, lembrando que “O erro mais comum é não alinhar o horizonte do investimento à necessidade de liquidez. Investidores que aplicam em títulos longos (como IPCA+ 2035 ou 2045) sem ter a certeza de que podem manter o dinheiro investido até o vencimento podem ser obrigados a vender com prejuízo em momentos de necessidade”, conforme informação divulgada pelo g1.
🔎 Marcação a mercado é o preço calculado do investimento como se ele fosse vendido naquele dia. Esse valor é atualizado diariamente.
Recomendações práticas para diferentes perfis
Para quem tem perfil conservador e busca liquidez, manter parte do capital em pós-fixados atrelados ao CDI ainda faz sentido, pois traz menor volatilidade caso o ciclo de cortes seja mais curto.
Investidores com horizonte mais longo podem considerar aumentar gradualmente exposição a prefixados e IPCA+, aproveitando prazos e vencimentos variados para reduzir o risco de ter que vender na baixa.
Por fim, diversificar vencimentos, separar reserva de emergência em ativos líquidos e separar recursos de longo prazo para títulos mais longos são medidas práticas que ajudam a proteger a carteira durante a transição do ciclo de juros.