quinta-feira, junho 4, 2026

Como Trump usa o petróleo para Cuba para pressionar a ilha, ameaçando tarifas a fornecedores, criando risco humanitário e acionando reação do México e de Díaz-Canel

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A nova medida americana busca dissuadir países de vender petróleo para Cuba, enquanto a ilha enfrenta apagões, filas por combustível e reservas que podem durar apenas semanas

A ordem executiva assinada por Donald Trump intensificou a pressão sobre Havana ao vincular o fornecimento de energia da ilha à segurança nacional dos Estados Unidos, com a ameaça de tarifas adicionais a países fornecedores.

Especialistas alertam que, se os embarques cessarem, a crise já em curso pode se transformar em uma emergência humanitária, afetando hospitais, transporte e abastecimento de alimentos.

Conforme informação divulgada pelo g1.

Ordem executiva, objetivo e retórica

A ordem executiva declara estado de emergência nacional, alegando que “a situação em relação a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos”.

O documento acusa o governo cubano de se aliar a adversários dos EUA, como Rússia, China e Irã, e a grupos descritos como terroristas, e busca, por meio de tarifas, dissuadir países terceiros de vender **petróleo para Cuba**.

O presidente Miguel Díaz-Canel reagiu acusando Trump de querer “estrangular a economia cubana” e descreveu o governo americano como “fascista, criminoso e genocida”.

Trump, por sua vez, negou estar tentando estrangular a ilha, mas afirmou que, na sua visão, “a ilha não conseguirá sobreviver”.

Escassez de combustível, números e impacto imediato

Cuba precisa de cerca de **110 mil barris de petróleo por dia** e produz aproximadamente **40 mil**, o que a torna muito dependente de importações.

Segundo dados da empresa belga Kpler, publicados pelo Financial Times, “Cuba tem petróleo suficiente para apenas mais 15 a 20 dias”.

No início de 2026, Cuba recebeu apenas um carregamento do México, de **84 mil barris** de petróleo, o equivalente a menos de 3.000 barris por dia, segundo a mesma base de dados.

A interrupção das remessas da Venezuela, após a intervenção americana naquele mercado, agravou a escassez, porque Caracas havia sido, historicamente, a principal fornecedora de energia da ilha.

O impacto já é visível no cotidiano, com apagões que chegam a **20 horas por dia** em algumas regiões, filas longas por combustível e transporte público em colapso, segundo economistas citados pela imprensa.

O papel do México e a advertência das tarifas

Com a queda das remessas venezuelanas, o México passou a ser a principal esperança de Havana, e dados do Banco do México indicam aumento nas exportações de petróleo para Cuba desde que Claudia Sheinbaum assumiu a presidência.

Fontes apontam que, ao longo de 2025, o México chegou a enviar cerca de **12 mil barris por dia** para Cuba, segundo dados da Kpler.

Sheinbaum afirma que os embarques têm caráter humanitário, para manter o funcionamento de hospitais e serviços essenciais, e ressaltou que os envios representam menos de 1% da produção total mexicana.

A ordem executiva de Trump parece ter como objetivo específico desencorajar o México de substituir a Venezuela como fornecedor principal, ao ameaçar tarifas que penalizariam as remessas de **petróleo para Cuba**.

Diante da possibilidade de sanções, a presidente instruiu o chanceler a dialogar com os EUA para avaliar os riscos, e a estatal Pemex mantém discrição sobre decisões de embarque, afirmando agir de forma soberana.

Economia cubana, efeitos sociais e cenário futuro

A ilha já enfrenta recessão prolongada, queda na produção industrial, e uma agricultura paralisada por falta de combustível e fertilizantes.

Dados oficiais apontam que a produção industrial em 2024 foi a mais baixa em 40 anos, e o turismo, importante fonte de divisas, encerrou 2025 com menos de **2 milhões de visitantes**, o pior resultado em mais de duas décadas, excluindo o período da pandemia.

Além disso, há escassez de medicamentos em meio a surtos de dengue, zika e chikungunya, redução de subsídios alimentares e filas para bens básicos.

Autoridades cubanas alertam que o bloqueio total do fornecimento de combustível pode submeter a população a “condições de vida extremas”, e economistas locais dizem que sistemas elétrico e de transporte correm risco de paralisação completa se os embarques se encerrarem.

No plano político externo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado que “Gostaríamos muito de ver uma mudança de regime, mas isso não significa que vamos provocá-la”, e acrescentou, “Não há dúvida de que seria muito benéfico para os Estados Unidos se Cuba não fosse mais governada por um regime autocrático”.

O cenário que se desenha combina pressão diplomática, riscos econômicos e possíveis consequências humanitárias, com o fornecimento de **petróleo para Cuba** no centro do conflito entre Washington, Havana e países fornecedores.

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