Paramount Skydance aumentou proposta e promete cobrir multa à Netflix, enquanto Netflix tem quatro dias úteis para apresentar nova oferta na compra da Warner
O impasse pela aquisição da Warner entrou em nova fase, com a Paramount Skydance elevando sua oferta e a Warner impondo um prazo curto para resposta.
A disputa envolve valores bilionários, direitos sobre franquias e riscos regulatórios que podem decidir o futuro do estúdio e dos canais a cabo.
As informações estão sendo acompanhadas de perto pelo mercado e pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1
Detalhes financeiros das propostas
A Paramount Skydance apresentou uma nova proposta de US$ 31 por ação pela Warner, que, segundo a Paramount, totaliza cerca de US$ 110 bilhões, incluindo a dívida da WBD.
Na prática, a oferta da Paramount inclui o compromisso de cobrir a multa de US$ 2,8 bilhões à Netflix, e ainda aumentou a proteção contra bloqueios regulatórios, oferecendo US$ 7 bilhões em caso de entraves.
A oferta atual da Netflix, de US$ 83 bilhões, exclui canais como CNN e Discovery, conforme a divulgação, e a Netflix já havia apresentado em dezembro uma proposta de US$ 27,75 por ação para os negócios de estúdio e streaming da Warner.
As ações da Paramount Skydance subiram mais de 1,5% após o anúncio da nova oferta da empresa.
Prazo e pressão sobre a Netflix
Com a declaração de que a proposta da Paramount é superior, a Warner deu à Netflix quatro dias úteis para melhorar sua oferta ou desistir da disputa, segundo o comunicado.
O cronograma decorre das regras do acordo já assinado entre Warner e Netflix, e chega após um movimento anterior em que a Netflix havia dado sete dias para que a Warner buscasse uma melhor e última oferta da Paramount.
Analistas do mercado comentam que um lance de US$ 34 por ação da Paramount reduziria bastante a controvérsia sobre preço, já que segundo avaliações, esse patamar praticamente encerraria a discussão sobre o valor por ação.
Riscos regulatórios e cláusulas de quebra
Além do valor por ação, as propostas consideram diferentes cenários regulatórios e a estruturação dos canais a cabo em uma nova empresa chamada Discovery Global.
A Warner estima que cada ação da Discovery Global poderia valer entre US$ 1,33 e US$ 6,86, enquanto a Paramount afirma que a nova empresa quase não teria valor, segundo as informações divulgadas.
Para mitigar riscos, a Paramount aumentou a garantia contra bloqueios regulatórios, elevando a multa de US$ 5,8 bilhões para US$ 7 bilhões, e se comprometeu a cobrir a multa contratual de US$ 2,8 bilhões devida à Netflix caso o negócio com a Paramount avance.
Do lado da Netflix, a empresa tinha, no fim de dezembro, cerca de US$ 9 bilhões em caixa, o que, na avaliação de mercado, deixa espaço para uma possível nova oferta caso a Netflix decida concorrer.
Impacto para Hollywood e próximos passos
Quem vencer a disputa ficará com um dos estúdios mais relevantes de Hollywood, incluindo uma grande biblioteca de conteúdos e franquias, o que mudaria o equilíbrio de forças na indústria audiovisual.
Parte da controvérsia envolve o destino dos canais a cabo, que, segundo a cobertura, passariam ao controle de aliados de Donald Trump se a Paramount vencer, uma questão que adiciona complexidade política ao processo de aprovação.
Investidores ativistas, como a Ancora Holdings, criticaram a forma como a Warner negociou com a Paramount, alegando que a empresa “não negociou de forma adequada com a Paramount”, enquanto a Warner afirmou que seu conselho sempre agiu no melhor interesse da companhia e dos acionistas.
Com o prazo de quatro dias úteis imposto à Netflix, os próximos movimentos deverão ser rápidos e decisivos, e podem envolver novas propostas, pressões de acionistas e avaliações regulatórias que vão determinar quem ficará com os ativos da Warner.