quinta-feira, junho 4, 2026

Compras de café brasileiro em 2025, apenas Japão, Turquia e China ampliaram aquisições entre grandes importadores, entenda impactos e números

Share

Cecafé mostra queda de 20,8% no volume exportado, EUA recuaram 33,9% após tarifaço, Alemanha assumiu liderança apesar de reduzir compras, veja detalhes

Em 2025, entre os dez maiores importadores do Brasil, apenas três países ampliaram as compras de café brasileiro, em meio a problemas climáticos e a medidas comerciais no exterior.

O Japão, a Turquia e a China foram exceções à tendência de retração, cada um por motivos próprios, com impactos distintos para o mercado brasileiro.

Os números e as declarações que explicam esse movimento foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Cecafé, conforme informação divulgada pelo g1.

Quem aumentou as compras e por que isso ocorreu

O Japão foi o quarto maior comprador em 2025, com importações superiores a 2,6 milhões de sacas, alta de 19,4%, movimento atribuído à recomposição de estoques. Sobre esse ponto, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, disse, “O Japão passou por um período em que comprou menos café do Brasil, porque estava com bastante estoque. Na medida que eles foram baixando, eles voltaram a comprar”.

A Turquia, que ocupa a sexta posição entre importadores, ampliou as compras em 3,26%, segundo o Cecafé, tanto para atender o mercado interno quanto para redistribuir o produto a países vizinhos. Na avaliação de Márcio Ferreira, “A Turquia exporta café para vários países em situação de dificuldade, em guerra”, o que explica parte da demanda.

A China, que tem consumo em rápida expansão, comprou 19,49% a mais de café brasileiro, totalizando 1,1 milhão de sacas, e passou a figurar na 10ª posição entre os importadores do Brasil. Segundo o Cecafé, “Ao contrário de países que buscam preços competitivos no mundo, a China prioriza o café arábica brasileiro”, e Márcio Ferreira acrescentou, “O país segue numa crescente. Os jovens chineses estão tomando cada vez mais café”, “O que temos de consumo, agora, é muito aquém do que veremos nos próximos cinco, dez anos.”

Queda geral nas exportações e efeito do tarifaço dos EUA

Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café, para 121 países, volume que representa queda de 20,8% em relação a 2024. Apesar da redução no volume, a receita foi recorde, impulsionada pelos preços internacionais mais altos.

O mercado norte-americano sofreu forte retração após o tarifaço sobre o café solúvel, com queda de 33,9% nas exportações brasileiras rumo aos EUA em 2025. Em função dessa redução, os Estados Unidos deixaram de ser o principal comprador do Brasil.

A liderança do ranking passou para a Alemanha, mesmo com o país também reduzindo as compras do produto brasileiro, em 28,7% no período, segundo dados do Cecafé.

O que isso significa para produtores e para o mercado

A combinação de problemas climáticos que reduziram a produção, preços internacionais elevados e mudanças nas rotas de comércio tende a alterar receitas e planejamento de estoques dos exportadores brasileiros.

Com menos compradores tradicionais em volumes anteriores, a diversificação de mercados, como o avanço da China e a recomposição do Japão, pode oferecer alguma compensação, mas não elimina a volatilidade enfrentada pelos produtores.

Especialistas e associações do setor destacam a necessidade de monitorar a evolução das medidas comerciais externas, a dinâmica de consumo em países emergentes e as condições climáticas para entender a continuidade ou reversão dessas tendências nos próximos anos.

Leia Mais

Fique por dentro