Confiança do empresário segue frágil, ICEI sobe só 0,5 ponto e marca o pior janeiro em 10 anos, com Selic a 15% e levantamento da CNI apontando cautela
Com juros no maior nível em quase 20 anos, a confiança do empresário permanece baixa, ICEI em 48,5 pontos revela receio sobre a economia e expectativas mistas para os próximos meses
A confiança dos empresários industriais segue em terreno frágil, apesar de um leve avanço no indicador que mede o setor.
O aperto monetário e a sequência de decisões sobre a taxa básica alimentam a cautela nas empresas, que avaliam piora nas condições atuais.
Nos próximos tópicos, detalhamos os números do ICEI, a distribuição por porte das empresas e o que diz a CNI sobre o efeito da Selic no sentimento empresarial.
conforme informação divulgada pelo g1
Detalhes do levantamento e do indicador
Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) teve um avanço pequeno, mas ainda indica desalento no setor, segundo a CNI. “Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) subiu 0,5 ponto em janeiro de 2026, chegando aos 48,5 pontos, informou nesta quarta-feira (21) a Confederação Nacional da Indústria (CNI).”
O ICEI vai de 0 a 100 pontos e que valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança dos empresários industriais, o que mantém a leitura do início do ano em patamar de cautela.
Sobre a amostra do levantamento, a CNI registrou que “O indicador é fruto de levantamento com 1.058 empresas, sendo 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes, entre os dias 5 e 9 de janeiro deste ano.” Esses dados mostram que a percepção negativa atravessa diferentes portes empresariais.
Juros altos e explicação da CNI
O custo do dinheiro é apontado como fator central para a baixa confiança. “Atualmente, a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, está em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.” Essa referência afeta empréstimos e investimentos, segundo analistas.
A CNI traz uma avaliação direta sobre a reação das empresas ao aperto, com uma explicação sobre o movimento recente. “A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
O que dizem os componentes do ICEI
Ao separar os componentes do indicador, a CNI mostra diferenças entre avaliação atual e expectativas. “Ao decompor o ICEI de janeiro, o índice de condições atuais da economia subiu 0,2 ponto, para 44 pontos.” Esse patamar indica que os empresários consideram a situação presente pior do que há seis meses.
Por outro lado, há movimento de melhora nas projeções. “Já o Índice de Expectativas, outro componente do ICEI, subiu 0,7 ponto, de 50 pontos para 50,7 pontos.” A entidade interpreta que há saída da neutralidade no curto prazo, com otimismo voltado ao desempenho das empresas.
Segundo a CNI, “O movimento indica que os empresários deixaram a neutralidade e voltaram a demonstrar expectativas positivas para os próximos seis meses. O otimismo, no entanto, é puxado pela expectativa positiva para o desempenho das empresas, uma vez que as perspectivas para a economia ficaram mais negativas”, avaliou a entidade.
O que observar adiante
A estabilidade da Selic em níveis elevados segue como variável-chave para a confiança do empresário, assim como o comportamento da atividade econômica e da inflação.
Com o ICEI ainda abaixo de 50 pontos e sinais mistos entre condições atuais e expectativas, empresas e mercados devem acompanhar decisões de política monetária e indicadores de produção e consumo para avaliar a intensidade da recuperação.