Conflito entre EUA, Israel e Irã pressiona economia global, petróleo pode subir a US$ 85 a US$ 90, risco ao Estreito de Ormuz e forte impacto em transporte e energia

Tensão em Teerã e ataques conjuntos elevam custos de energia, aumentam seguros e podem reduzir oferta global, com efeitos imediatos sobre combustível, gás e logística

O avanço das operações militares e a morte de lideranças iranianas elevaram a percepção de risco no mercado global de energia.

Analistas apontam para alta imediata no preço do petróleo e para impactos amplos em transporte marítimo e inflação. A volatilidade deve permanecer enquanto durar a crise.

As informações a seguir reúnem dados e declarações divulgadas publicamente, conforme informação divulgada pelo g1

Preços do petróleo, previsões e declarações

Especialistas do mercado energético já sinalizam alta significativa no preço do barril assim que os mercados reabrirem, com projeções imediatas de entre US$ 85 e US$ 90 por barril, segundo Amena Bakr, especialista da Kpler.

Para comparação, o barril estava em US$ 72 na sexta-feira, e no início do ano valia US$ 61, números que mostram a aceleração da alta recente.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aceitou conversar com os novos líderes iranianos, e, ao mesmo tempo, minimizou o impacto da alta dos combustíveis em entrevista à “Fox News”, dizendo não estar preocupado, e afirmando que, sem os ataques, o Irã teria uma arma nuclear “em menos de duas semanas“.

Escalada militar e vítimas

A escalada ocorreu após a confirmação da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de outras figuras centrais do governo iraniano.

Em reação, autoridades de Estados Unidos e Israel indicaram que não pretendem reduzir a pressão militar, enquanto o Irã responde em diferentes pontos do Oriente Médio.

Em um dos episódios recentes, ataques de Teerã mataram pelo menos três soldados americanos e nove civis israelenses, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que o país mobiliza “toda a força de seu Exército” e que “as forças israelenses estão atacando o coração de Teerã com intensidade crescente“, declarações que sinalizam possível ampliação das ofensivas.

Risco ao Estreito de Ormuz e oferta global

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, passa a ser ponto de atenção, porque qualquer perturbação ali pode reduzir o fluxo global de óleo.

Embora a passagem não esteja oficialmente fechada, o custo dos seguros subiu e grandes empresas de navegação suspenderam viagens pela rota, e o custo logístico já reflete a incerteza.

Segundo a Rystad Energy, mesmo com caminhos alternativos, a redução no fornecimento pode variar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia, o que diminuiria a oferta disponível no mercado internacional.

Impacto econômico por setores e cenários

Economistas advertiram que um período prolongado de preços elevados pode gerar “efeito recessivo“, com impacto sobre combustíveis, energia, transporte marítimo e companhias aéreas, segundo Eric Dor, professor da IESEG School of Management.

Enquanto empresas do setor de defesa podem registrar ganhos nas bolsas, setores como transporte, turismo e logística devem sofrer perdas significativas devido ao aumento dos custos e à redução do consumo.

Analistas também destacam o possível aumento do preço do gás natural, já que exportadores regionais, como o Catar, podem ser afetados pelo conflito, pressionando ainda mais a inflação global.

Michelle Brouhard, da Kpler, afirma que o Irã pode tentar manter os preços elevados para pressionar Washington, e essa estratégia pode prolongar a volatilidade dos mercados.

O cenário segue sujeito a novos desdobramentos, e a evolução das operações no terreno, e das decisões políticas, determinará se a alta dos preços será temporária ou terá efeitos mais profundos na economia mundial.