Consignado não contratado no INSS dispara 113% em 2025, 19.888 denúncias no Consumidor.gov, RMC e cartões não solicitados preocupam aposentados
Em 2025, surgem 19.888 reclamações de consignado não contratado no INSS, alta de 113% sobre 2024, e crescem denúncias de RMC e descontos indevidos em benefícios
Denúncias de empréstimos consignados não contratados estão em forte alta, com impactos financeiros e de confiança entre aposentados e pensionistas.
Muitos beneficiários relatam cobranças de operações que dizem não ter solicitado, e que aparecem diretamente no extrato do benefício do INSS.
Os dados, e a evolução do problema, foram apontados em levantamento, conforme informação divulgada pelo g1.
Os números por trás do aumento
Em 2025, foram registradas 19.888 reclamações desse tipo no site Consumidor.gov, contra 9.319 reclamações em 2024, o que representa um crescimento de 113% em um ano.
Segundo as mesmas estatísticas, empréstimos que estão sendo cobrados, mas nunca foram solicitados, representam 25,7% do total de reclamações de segurados do INSS na plataforma, dentro do tema de crédito consignado.
Entre 2019 e 2025, foram mais de 111 mil reclamações desse tipo, e, no caso específico de cartões de crédito consignado não solicitados, como a chamada RMC, foram registradas 11,8 mil reclamações entre 2019 e 2025, com mais de 3 mil apenas no ano passado.
Por que aposentados e pensionistas são alvo
Os empréstimos consignados têm desconto automático no benefício, o que facilita a cobrança indevida quando há fraude, erro ou contratação sem consentimento.
Além disso, modelos como a RMC, em que um valor mínimo passa a ser descontado após uma contratação, aumentam a sensação de perda de controle sobre o benefício.
O INSS não é remunerado por viabilizar os descontos, e ainda arca com custos operacionais para permitir que as instituições façam os repasses.
Medidas e acordo entre INSS e bancos
Em janeiro, o INSS firmou um acordo com a Federação Brasileira de Bancos, Febraban, e com a Associação Brasileira de Bancos, ABBC, para retomar a cobrança de valores das instituições financeiras que ofertam empréstimos consignados vinculados a benefícios do INSS.
A cobrança está prevista em lei, e havia deixado de ser feita desde 2022, a retomada prevê que o INSS receba R$ 148,4 milhões.
O que fazer ao identificar desconto indevido
Verifique o extrato do benefício e o comprovante de consignação, e entre em contato com a instituição financeira responsável para solicitar esclarecimento e contestação.
Registre a reclamação no site Consumidor.gov e, se necessário, procure os canais de defesa do consumidor ou a ouvidoria do INSS para formalizar a contestação.
Mantenha cópias de documentos e comunicações, e, ao suspeitar de fraude, avalie registrar boletim de ocorrência para respaldar a reclamação administrativa.