Contas públicas em 2025 registram piora, déficit primário de R$ 55 bilhões e rombo nominal de R$ 1,06 trilhão, Banco Central aponta impacto de juros sobre serviços da dívida

Dados do Banco Central mostram que as contas públicas pioraram em 2025, com déficit primário de R$ 55 bilhões, juros de R$ 1 trilhão, e resultado nominal de R$ 1,06 trilhão

As contas do setor público fecharam 2025 com um **déficit primário de R$ 55 bilhões**, o equivalente a **0,43% do Produto Interno Bruto (PIB)**.

O número indica uma piora em relação a 2024, quando o déficit primário foi de **R$ 47,55 bilhões**, ou **0,4% do PIB**.

Esses dados foram divulgados pelo Banco Central, e fazem parte do balanço que considera governo federal, estados, municípios e empresas estatais, conforme informação divulgada pelo g1.

Como se formou o resultado e comparação histórica

O déficit primário ocorre quando as receitas com impostos e outras fontes ficam abaixo das despesas, desconsiderando os juros da dívida pública.

Na proporção com o PIB, o déficit de **0,43%** representa o pior patamar desde 2023, quando o rombo atingiu **2,29%** do PIB.

Resultado nominal e custo dos juros

Ao incluir os juros da dívida, no conceito chamado de resultado nominal, as contas públicas registraram déficit de **R$ 1,06 trilhão** em 2025, o equivalente a **8,34% do PIB**.

O Banco Central informou que as **despesas com juros nominais somaram R$ 1 trilhão (7,91% do PIB)** em 2025, contra **R$ 950 bilhões (8,1% do PIB)** em 2024.

Desempenho por ente federativo e variação mensal

No detalhamento por ente, o governo federal registrou **déficit de R$ 58,68 bilhões**, enquanto estados e municípios apresentaram **saldo superavitário de R$ 9,53 bilhões**.

As empresas estatais fecharam o ano com **déficit de R$ 5,87 bilhões**.

Somente em dezembro, as contas públicas tiveram resultado positivo de **R$ 6,25 bilhões**, contra **R$ 15,74 bilhões** no mesmo mês de 2024.

Impactos e acompanhamento por agências e investidores

O resultado nominal é acompanhado por agências de classificação de risco e investidores, porque reflete a capacidade de pagamento do país, e influencia a nota de crédito internacional.

Movimentos no câmbio, intervenções do Banco Central e a taxa básica de juros, Selic, afetam diretamente o custo da dívida e, por consequência, o resultado das contas públicas.

Analistas apontam que a combinação de menor espaço fiscal com juros elevados tende a manter pressão sobre o orçamento nos próximos trimestres, e que a evolução das receitas e das despesas será observada de perto pelo mercado.