Coplacampo: protetor solar para frutas e robô com I.A. que georreferencia maçãs e uvas prometem reduzir perdas e otimizar colheitas em Piracicaba

Apresentadas na 12ª edição em Piracicaba, as novidades incluem um protetor solar líquido para frutas e um robô autônomo com câmeras e GPS que contabiliza frutos com precisão de centímetros

A 12ª Coplacampo abriu nesta segunda-feira em Piracicaba com soluções pensadas para enfrentar calor extremo e melhorar a estimativa de produção no pomar.

Entre as inovações, chamou atenção um protetor solar para frutas, em versão líquida, e um robô com inteligência artificial capaz de percorrer talhões, captar imagens e mapear frutos.

As tecnologias foram exibidas durante a abertura da feira, que reúne expositores e demonstradores do setor agroindustrial.

conforme informação divulgada pelo g1

Protetor solar para frutas, funcionamento e ganhos

O produto, comercializado em forma líquida por uma empresa de Vinhedo, cria uma camada sobre a superfície do fruto, com o objetivo de evitar danos causados por altas temperaturas.

Segundo a descrição apresentada na feira, a película branca reflete parte da radiação e atua também no controle de pragas que se atraem pela massa verde.

Na fala divulgada na cobertura do evento, a empresa explica o efeito prático do produto e apresenta a expectativa de aplicação em diferentes fases da planta.

Em palavras trazidas pela reportagem, “Como ele cria essa camada branca, ele ajuda a repelir algumas pragas voadoras que são atraídas pela massa verde. Então, ele também tem os efeitos adjacentes, mas como proteção solar, o grande objetivo desse produto é evitar a perda de produtividade”, diz Tânia Zen, sócia-fundadora da empresa.

Robô da Embrapa, inteligência artificial e georreferenciamento

A Embrapa apresentou um robô autônomo em fase de testes, projetado para identificar e quantificar a produtividade em lavouras de frutas, especialmente maçã e uva.

O equipamento utiliza múltiplas câmeras e GPS para registrar imagens e georreferenciar a posição de cada fruto com alta precisão, possibilitando estimativas de colheita e mapas de produtividade por área do talhão.

Durante a demonstração, pesquisadores mostraram o controle manual, enquanto o objetivo final é que o robô execute rotas sozinho, do mesmo modo que drones cobrem um talhão hoje.

“Da mesma forma em que hoje a gente desenha um circuito para os drones fazerem a cobertura do talhão, a ideia é que o robô faça a mesma coisa, execute sozinho um trajeto dentro do pomar e traga as imagens”, explica Thiago Santos, pesquisador da Embrapa.

O pesquisador detalha a capacidade técnica do sistema, “Há câmeras voltadas para cada lado do corredor, então a gente consegue pegar frutos dos dois lados, e o software de Inteligência artificial vai quantificando as frutas e com o GPS vai georreferenciando a posição, com precisão de centímetros da localização de cada fruto no talhão”, aponta o pesquisador.

Impacto esperado no campo e no mercado

Essas inovações respondem a duas demandas claras do setor, proteção contra estresse térmico e informação precisa para decisões de manejo e logística.

Com estimativas mais apuradas de produção, produtores podem planejar colheita, mão de obra e comercialização com menor margem de erro, enquanto o protetor solar para frutas pode reduzir perdas em safras afetadas por ondas de calor.

Na abertura do evento, foi destacada ainda a dimensão da feira, com a apresentação de várias tecnologias e a expectativa econômica para o agronegócio local.

“A 12ª Coplacampo, feira de tecnologia em Piracicaba (SP), reúne 170 expositores e projeta movimentar R$ 500 milhões em inovações para o agronegócio.”

O que falta para adoção em larga escala

Ambas as soluções ainda passam por testes e ajustes, seja na formulação e aplicação do protetor solar para frutas, seja na autonomia e robustez do robô em diferentes condições de campo.

Para virar rotina no campo, será necessário validar custo, segurança, regulamentação e integração com práticas de agricultura de precisão já existentes.

Mesmo em fase experimental, as demonstrações na Coplacampo indicam caminhos práticos para reduzir perdas por calor e para trazer maior precisão à estimativa de colheita, com potencial para mudanças rápidas no manejo de pomares.