quinta-feira, junho 4, 2026

Copom mantém taxa Selic em 15% ao ano, sinaliza início de cortes em março, entenda por que BC manteve os juros e o que muda para a economia brasileira

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Copom antevê início da flexibilização da política monetária em março, se o cenário esperado se confirmar, mas reforça que manterá restrição adequada para convergência da inflação

O Comitê de Política Monetária, Copom, decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15% ao ano na reunião desta quarta-feira.

Apesar da manutenção do patamar elevado, o colegiado sinalizou que pode iniciar cortes já na próxima reunião, em março, caso as projeções se confirmem.

As informações sobre a decisão e as sinalizações do Copom foram divulgadas pelo órgão e consolidadas em reportagens sobre a reunião, conforme informação divulgada pelo g1

O que o Copom disse, textualmente

O comunicado do Copom traz a seguinte frase, na íntegra, sobre a estratégia futura, “O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, conforme divulgado.

A decisão de manter a taxa Selic em 15% foi tomada de forma unânime, “A decisão do Copom desta quarta-feira, que não alterou a Selic, foi unânime”, segundo o relato da reunião.

Contexto e histórico da taxa

O atual patamar de 15% é o maior em quase 20 anos, “O atual patamar é o maior em quase 20 anos – em julho de 2006, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Selic estava em 15,25% ao ano”, aponta o registro sobre comparações históricas.

Além disso, A Selic está em 15% desde o fim de junho, o que resulta em quatro reuniões seguidas sem mudança no juro básico.

Motivos e sinais para cortes

O Copom justificou a sinalização de cortes pela expectativa de inflação mais controlada nas projeções futuras, e ressaltou que manterá restrição enquanto for necessário para cumprir a meta.

O documento e análises públicas recordam que A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre, e que qualquer mudança é pensada para o médio prazo.

Riscos, impactos e próximos passos

A reunião teve duas ausências no colegiado, “A reunião desta quarta teve dois votos a menos, por causa das saídas do diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen”, e o governo ainda não indicou substitutos.

Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, “o objetivo de 3% será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%”, e o BC vem monitorando a evolução dos preços para calibrar a Selic.

Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, “o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos”, na qual o presidente do órgão, Gabriel Galípolo, afirmou que culpou a atividade econômica aquecida, o câmbio, o custo da energia elétrica, além de anomalias climáticas.

O Banco Central lembra que Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses, e que Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

Para famílias e empresas, a sinalização de corte em março reduz a incerteza no horizonte curto, mas o efeito real sobre crédito, consumo e investimento dependerá da trajetória das projeções de inflação e das decisões subsequentes do Copom.

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